PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
1 mês

Professora é demitida após suspeita de desviar R$ 24 mil de formatura no CE

Fachada da escola Escola Professora Luiza de Teodoro Vieira, em Pacatuba (CE) - Reprodução/Google
Fachada da escola Escola Professora Luiza de Teodoro Vieira, em Pacatuba (CE) Imagem: Reprodução/Google

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador

02/12/2020 20h44

A Polícia Civil do Ceará investiga se uma professora da cidade de Pacatuba cometeu crime de estelionato por supostamente desviar cerca de R$ 24 mil que seriam destinados para pagar a festa de formatura de alunos. O caso envolve três turmas do 3º ano do ensino médio da Escola Professora Luiza de Teodoro Vieira, localizada no bairro Jereissati 2.

Em depoimento, a docente alegou que teve problemas com o banco onde o dinheiro foi depositado e afirmou já ter restituído os valores aos estudantes. Segundo o diretor da escola, que lamentou o ocorrido, ela era uma profissional "muito competente".

Até a tarde de hoje, ela já havia devolvido R$ 21 mil e se comprometeu a ressarcir o montante total até sexta-feira (4). A profissional, cujo nome não foi divulgado, acabou sendo demitida, embora ocupasse um posto temporário.

O UOL não conseguiu localizar a defesa da professora até a publicação desta reportagem. Tanto a direção da escola quanto a Secretaria de Educação do Ceará disseram não ter autorização para repassar o contato da docente.

Buffet e fotos

Sob anonimato, uma aluna que faz parte da comissão de formatura relatou ao UOL que o dinheiro para a cerimônia começou a ser arrecadado em maio, dois meses após o início da pandemia de covid-19. A estudante de 18 anos contou que a própria professora se ofereceu para recolher os valores. Ficou acertado então que cada aluno pagaria oito parcelas de R$ 76,45.

"Foram arrecadados dinheiro das turmas A, B e C do 3º ano. Nós, da comissão de formatura, só desconfiamos que estava acontecendo algo de errado porque o fotógrafo começou a nos cobrar. Foi aí que começamos a pressionar a professora, que disse que teve um problema no banco e faria o possível para nos ressarcir", diz a estudante.

Os valores vinham sendo transferidos para uma conta bancária da docente. Ela teria se responsabilizado pela contratação de serviços de buffet, cobertura fotográfica e confecção de placas alusivas à formatura.

No boletim de ocorrência registrado pela mãe de um dos estudantes consta que um dos pacotes oferecidos custava R$ 759 por aluno. Estima-se que 70% dos 120 estudantes tenham feito os pagamentos.

"Profissional competente", lamenta diretor

Ao UOL, Gilmar Costa, diretor da instituição, contou que só tomou conhecimento do incidente após os responsáveis pelos alunos procurarem a polícia para registrar um boletim de ocorrência.

Ele informou que, apesar de a professora ter sido inicialmente afastada, a Secretaria de Educação decidiu desligá-la na última segunda-feira (30).

"Ela devolveu parte do dinheiro, conforme foi combinado. Até sexta-feira vai devolver o restante. Não quero justificar a conduta da professora, que foi errada, mas foi um assunto que poderia ter sido resolvido sem tanta repercussão. O importante é que ela vai devolver o dinheiro, R$ 24,4 mil e uns quebrados", afirmou.

O diretor afirmou que o evento de formatura seria organizado à revelia da gestão escolar, que já havia desautorizado a festa diante da possibilidade de aglomerações.

Ao lamentar o episódio, Costa disse que a professora alvo do imbróglio era uma profissional exemplar e cumpriria contrato até janeiro. "Ela era muito competente. Infelizmente, errou e está pagando caro. Foi um erro grave se utilizar do dinheiro de outras pessoas. Agora, vamos reunir os pais para esclarecer o que aconteceu e informar o cronograma de devolução dos recursos."

Em nota, a Secretaria de Educação informou que a Crede 1 (Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação), órgão vinculado à pasta, continuará acompanhando o caso para garantir o direito dos estudantes, além de apurar administrativamente o ocorrido.

A Polícia Civil, por sua vez, disse que segue realizando oitivas para investigar as circunstâncias sobre os fatos.

Cotidiano