PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Conteúdo publicado há
1 mês

Após acidente do neto em piscina, avó luta por tratamento e causa comoção

A cuidadora de idosos Maria Cristina da Silva Barros, de 50 anos, e seu neto - Arquivo pessoal
A cuidadora de idosos Maria Cristina da Silva Barros, de 50 anos, e seu neto Imagem: Arquivo pessoal

Juliana Almirante

Colaboração para o UOL, de Salvador

24/01/2021 15h21

A cuidadora de idosos Maria Cristina da Silva Barros, de 50 anos, enfrenta há cinco meses uma batalha pela recuperação do seu neto, Rhavi Barros, de 1 ano, depois de um acidente que ele sofreu em uma piscina.

Para buscar um tratamento para a criança, que respira por aparelhos, ela começou a compartilhar o caso nas redes sociais e comoveu várias pessoas. Desde então, tem recebido mensagens de conforto pela melhora do neto. Também foi iniciada uma campanha de arrecadação de materiais para o menino, com a hashtag #todospeloRhavi, pelo grupo Ação do Bem Santos.

Ao UOL, ela conta que o acidente ocorreu no dia 10 de agosto do ano passado, em um sítio da família em Itariri, no Vale do Ribeira. Ela mora em Santos, mas estava há uma semana no local para cuidar da mãe, que é paraplégica. "Para mim, eu não me conformo ainda com o que houve", lamenta.

Cristina relata que precisou colocar ele no chão, na cozinha, para dar remédios para a bisavó de Rhavi, que estava passando mal. Quando percebeu a ausência da criança, ela começou a procurá-lo e gritar por ele, e não o encontrava.

Naquele momento, o entorno da piscina estava fechado, mas apenas uma área que tinha degraus estava aberta. No entanto, a criança acabou indo até a da piscina e se afogou. Ele havia aprendido a engatinhar há apenas dois dias.

"Vi ele boiando de barriga pra cima na piscina. Eu corri, bati minha perna no degrau e me machuquei. Pulei pra dentro da piscina e saí. Quando saí da piscina comecei a gritar. Meu cunhado correu e coloquei o menino no colo dele", relembra.

Com ajuda do cunhado, Cristina levou a criança para um posto de saúde, onde Rhavi recebeu os primeiros socorros. Depois ele foi transferido para o Hospital Regional de Registro, onde ficou internado.

Com o estado grave da criança, Cristina chegou a ouvir dos médicos que ele só teria alguns dias de vida, mas o tempo passou e ele acabou sobrevivendo. Em determinado momento, ela ouviu que ele tinha apenas 1% do cérebro funcionando, no entanto, ela continuou acreditando que o neto iria se recuperar.

Ele foi lutando pela saúde dele e mostrando que queria sobreviver. Ele conseguiu sobreviver e ninguém acreditava. Os médicos ficaram impressionados com a garra dessa criança.

Depois de um mês de internação, ela pediu para que ele fosse transferido para Santos, onde mora. A criança foi levada em uma UTI Móvel, mas acabou tendo que esperar para conseguir vaga em uma unidade de saúde e teve uma convulsão.

"O quadro dele se agravou e tiveram que colocar ele em respirador. Mas ele, mais uma vez, lutou pela vida dele", conta a avó.

Cristina diz que sempre foi muito próxima do neto e que costumava ajudar a filha a cuidar dele. A mãe de Rhavi, a produtora de eventos Tamires Carolina Barros Pinto Rodrigues, de 30 anos, perdeu o emprego com a pandemia. A família vive apenas com os valores da aposentadoria da bisavó de Rhavi.

A cuidadora de idosos afirma que teve conhecimento de um tratamento chamado oxigenoterapia hiperbárica, que já foi realizado nos EUA em uma criança vítima de afogamento. Desde então, ela busca fazer esse mesmo tratamento em Rhavi, mas ainda não conseguiu.

Ela diz que precisa custear uma consulta e exames com um neuropediatra, para comprovar a situação neurológica dele, e então realizar a oxigenoterapia hiperbárica em uma instituição que realiza esse tratamento em Santa Catarina.

Cristina conta ainda que necessita comprar medicamentos para o neto, que não têm conseguido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

"Nós somos bem humildes e esse problema de Rhavi caiu como uma bomba. Em um quarto, dormem eu, a mãe de Rhavi meu filho de 16 anos. Nós não temos banheira para dar banho nele, não temos sapato ortopédico, não temos nada. Eu tenho vergonha de pedir para as pessoas. Mas minha filha ficou desempregada por conta da pandemia. Minha maior tristeza é ver ele assim. A gente está passando por um momento muito difícil", lamenta.

Apesar das dificuldades, ela afirma que continuará lutando pela recuperação e pelo tratamento da criança.

"Eu peço pra Deus todos os dias para ver o sorriso do meu neto. Ele cativava muita gente onde passava. (..) Enquanto tiver um fio de esperança, vou lutar pelo Rhavi e tenho que procurar o melhor para o meu neto", .

Cotidiano