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15 dias

Refugiado haitiano é encontrado morto em tanque de produto químico em SP

Youvens Estinvil morreu em empresa de Cubatão (SP); versão inicial aponta acidente de trabalho - Divulgação/Facebook
Youvens Estinvil morreu em empresa de Cubatão (SP); versão inicial aponta acidente de trabalho Imagem: Divulgação/Facebook

Daniel César

Colaboração ao UOL, em Pereira Barreto (SP)

09/04/2021 21h21Atualizada em 09/04/2021 21h22

Um haitiano de 37 anos, que vivia refugiado no Brasil, foi encontrado morto na terça-feira (06) dentro de um tanque de produtos químicos na empresa em que trabalhava, na cidade de Cubatão, no litoral de São Paulo

O homem, identificado como Youvens Estinvil, foi encontrado desacordado por outros funcionários dentro do reservatório. Os colegas teriam feito os primeiros socorros e acionado o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

No Boletim de Ocorrência consta que, quando os socorristas chegaram, o trabalhador já foi declarado morto.

Logo em seguida, a Polícia Militar foi acionada e chamou a Polícia Civil e a equipe técnica, que isolou o local para a realização de perícia. O corpo foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal), onde passou por exames necroscópicos. A suspeita é de que o funcionário tenha morrido intoxicado.

A Polícia Civil, responsável pelo inquérito, registrado como morte a esclarecer, explicou que os laudos periciais, que determinarão a causa da morte de Youvens, deverão ficar prontos em até 30 dias. Não há indício, no entanto, de que ele tenha morrido por algum tipo de violência física.

A empresa Ceslog, onde a vítima trabalhava, soltou uma nota sobre o caso, reafirmando que segue normas de segurança em relação a seus funcionários.

"A Ceslog dedica-se, com reconhecida idoneidade, à prestação de serviço de transportes rodoviário de cargas, com rígido programa e treinamento de segurança para todos os seus colaboradores. A empresa disse que reitera sentimentos e condolências à família da vítima e a todos os demais colaboradores da empresa. A Ceslog disse que está à disposição de todas as autoridades para fornecer os esclarecimentos que se fizerem necessários", declarou.

Uma amiga do rapaz lamentou o ocorrido em suas redes sociais, definindo Youvens como "educado" e afirmando que seu trabalho era "perigoso".

"Dor inexplicável. Descanse no colo do senhor Jesus. Youvens Estinvil, mais conhecido como Haiti! Sem acreditar. Menino educado e legal, infelizmente trabalho perigoso te levou para sempre", concluiu.

Youvens Estinvil chegou ao Brasil em 2018, indo morar inicialmente em Suzano, também em São Paulo. Um ano depois ele se mudou para Cubatão ao conseguir um emprego na Ceslog, empresa especializada no transporte de "produtos perigosos", como descrito no site, incluindo químicos, petroquímicos e cargas de mineração.

Ele não tinha familiares no Brasil, já que todos voltaram para o Haiti.

No trabalho, ele era o responsável pela limpeza dos tanques de produtos químicos. Segundo as investigações da Polícia Civil, o processo era feito por dois funcionários, um entrava no tanque com EPI (Equipamento de Proteção Individual), como máscara de oxigênio, e o outro ficava do lado de fora, em apoio.

A Polícia Civil apurou, no inquérito, que, no momento do acidente, estava sozinho. Ainda não há explicações do motivo da mudança do protocolo de trabalho.

Não há informações se o corpo do haitiano será levado de volta ao seu país de origem. Consultado, o Itamaraty não respondeu.

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