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1 mês

Henry: 'Nada justifica omissão de uma mãe ante agressão', diz delegado

Heloísa Barrense, Tatiana Campbell e Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL e do UOL, em São Paulo e no Rio

13/04/2021 14h58

O diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, Antenor Lopes Martins Júnior, afirmou hoje que a omissão de Monique Medeiros a respeito das agressões contra o filho, Henry Borel, apontada na investigação, é "penalmente relevante".

Ao UOL Entrevista, o delegado falou que o novo depoimento à polícia da babá Thayná de Oliveira Ferreira traz provas de que a mãe da criança sabia que ele era vítima de violência. Questionado sobre uma possível motivação para a conivência da mãe com o namorado, Martins disse não acreditar que exista justificativa para que ela ocultasse a violência contra a criança.

"Eu acho difícil existir alguma motivação para alguém agredir dessa maneira, ainda mais uma criança de apenas 4 anos. Nada justifica isso. E, da mesma maneira, não existe nada que justifique uma omissão de uma mãe ao verificar que seu filho está sofrendo torturas reiteradas", defendeu.

A omissão de uma mãe que acaba com resultado morte é penalmente relevante. Na figura de agente garantidor, o pai ou a mãe, responde por resultado morte

Antenor Lopes Martins, delegado

O delegado disse que, até o momento, a polícia desconhece informações de que Monique tenha sofrido agressões de Jairinho. "Isso não existe oficialmente dentro do inquérito, nada disso foi colhido dentro de qualquer depoimento, isso não foi relatado pela mãe do menino. Nem nos celulares, documentos apreendidos foram encontrados dados que comprovassem que ela fosse vítima de violência doméstica. O que existe é uma proximidade dela com ele."

"Com relação ao vereador Dr. Jairinho, existem vastas provas no inquérito policial de que esse menino vinha sofrendo tortura por parte dele. Não existe uma prova só, são várias, como depoimentos, boletins de atendimento, prontuários médicos", disse.

O caso

O vereador e a pedagoga Monique foram presos na quinta-feira (8) por suspeita de atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas. Eles são investigados por envolvimento no assassinato.

A pedagoga está presa no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio. Ela chegou à unidade na quinta-feira (8) ouvindo gritos em coro "uh, vai morrer". Ela está isolada e deve permanecer assim por um longo período por medidas de segurança.

O menino sofreu 23 lesões pelo corpo, de acordo com os laudos do IML (Instituto Médico Legal) e da reprodução simulada feita no apartamento na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde o garoto sofreu as agressões. Entre elas, escoriações, hematomas, hemorragias em três partes da cabeça, infiltrações, contusões nos rins, pulmão e laceração no fígado.

A causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente, como apontado pelo laudo da necropsia.