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1 mês

Delegado: Mãe de Henry tentou "obstruir as investigações, é muito grave"

Heloísa Barrense, Tatiana Campbell e Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL e do UOL, em São Paulo e no Rio

13/04/2021 14h33Atualizada em 13/04/2021 18h16

O delegado Antenor Lopes Martins, que coordena as investigações da morte de Henry Borel, afirmou hoje, em entrevista ao UOL, que a mãe da criança, Monique Medeiros, tentou obstruir as investigações do caso, e que isso é considerado uma atitude "muito grave".

Em participação no UOL Entrevista, o diretor do DGPC (Departamento Geral de Polícia da Capital) negou ainda ter informações de que o padrasto de Henry, o vereador Dr. Jairinho (sem partido) —principal suspeito do assassinato— também agredia Monique, sua namorada, e disse que "nada justifica a omissão de uma mãe".

Obstrução

Em novo depoimento à polícia, a babá Thayná de Oliveira afirmou que a mãe de Henry lhe pediu que apagasse as mensagens de WhatsApp em que relata as agressões do padrasto do garoto.

"A babá, na nova versão —que está muito mais compatível com as outras provas que existiam nos autos—, diz que mentiu a pedido de Monique e que, inclusive, ela teria pedido para apagar a conversa e falsear a verdade perante a autoridade policial", disse o delegado.

Isso é crime e configura uma tentativa de obstruir as investigações. Então isso é muito grave, isso é uma situação que juridicamente, o delegado quando finalizar seu inquérito, vai levar muito isso em consideração
Antenor Lopes Martins, delegado

De acordo com o delegado, "o novo depoimento foi contundente, minucioso" e terminou por volta da meia-noite de hoje. "Ele trouxe uma situação bem ruim para a mãe do Henry", avaliou Martins.

Ele disse, porém, que a babá não deve ser punida por mentir no primeiro depoimento porque, "uma vez que ela se retrata e traz a verdade, ela não poderá mais ser responsabilizada por falso testemunho", segundo a legislação brasileira.

Jairinho agredia Monique?

De acordo com Martins, não há informações no inquérito sobre os relatos de que Monique era agredida por Jairinho.

"Isso não existe oficialmente dentro do inquérito, nada disso foi colhido dentro de qualquer depoimento, isso não foi relato pela mãe do menino. Nem nos celulares, documentos apreendidos foram encontrados dados que comprovassem que ela fosse vítima de violência doméstica, isso não existe nos autos, o que existe é uma proximidade dela com ele", afirmou Martins.

De acordo com a colunista do UOL Juliana Dal Piva, Monique falou para interlocutores nos últimos dias que também era agredida por Dr. Jairinho. Para a polícia, a professora teve "várias oportunidades para relatar isso [as supostas agressões] e, até o presente momento, isso não existe oficialmente".

O UOL reafirma a informação publicada na coluna da jornalista Juliana Dal Piva.

"Nada justifica omissão de uma mãe"

O diretor do Departamento Geral de Polícia do Rio disse ainda que a omissão de Monique Medeiros às agressões sofridas contra o filho é "penalmente relevante".

A omissão de uma mãe que acaba com resultado morte é penalmente relevante. Na figura de agente garantidor, o pai ou a mãe, responde por resultado morte
Antenor Lopes Martins, delegado

"Com relação ao vereador Dr. Jairinho existe vasta provas no inquérito policial de que esse menino vinha sofrendo tortura por parte dele, não existe uma prova só, são várias, como depoimentos, boletins de atendimento, prontuários médicos", afirmou Martins, para quem não há justificativa para que a mãe ocultasse as agressões.

"Eu acho difícil existir alguma motivação para alguém agredir de maneira ainda mais uma criança de apenas 4 anos, nada justifica isso. E da mesma maneira não existe nada que justifique uma omissão de uma mãe ao verificar que seu filho está sofrendo torturas reiteradas", concluiu.

O caso

O vereador Dr. Jairinho e a pedagoga Monique Medeiros, padrasto e mãe da criança, foram presos na quinta-feira (8) por suspeita de atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas. Eles são investigados por envolvimento no assassinato.

A pedagoga está presa no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio. Ela chegou à unidade na quinta-feira (8) ouvindo gritos em coro "uh, vai morrer". Ela está isolada e deve permanecer assim por um longo período por medidas de segurança.

O menino sofreu 23 lesões pelo corpo, de acordo com os laudos do IML (Instituto Médico Legal) e da reprodução simulada feita no apartamento na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde o garoto sofreu as agressões. Entre elas, escoriações, hematomas, hemorragias em três partes da cabeça, infiltrações, contusões nos rins, pulmão e laceração no fígado.

A causa da morte foi hemorragia interna e laceração hepática causada por uma ação contundente, como apontado pelo laudo da necropsia.

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