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Juliana Dal Piva

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mãe do menino Henry relatou nos últimos dias ter sido agredida por Jairinho

Juliana Dal Piva

Juliana Dal Piva é formada pela Universidade Federal de Santa Catarina e possui mestrado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getulio Vargas. Trabalhou nos jornais O Dia, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e revista Época. Obteve oito premiações de jornalismo. Entre elas, o Prêmio Líbero Badaró de jornalismo impresso em 2014 e também foi menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Em 2019, recebeu ainda o Prêmio Relatoría para la Libertad de Expresión (RELE) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, pelo trabalho "Em 28 anos, clã Bolsonaro nomeou 102 pessoas com laços familiares".

Colunista do UOL

13/04/2021 11h57

A coluna apurou que a pedagoga Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, falou para interlocutores nos últimos dias que também era agredida pelo vereador Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, seu namorado. A Polícia Civil do Rio já foi informada sobre esses novos relatos de Monique para pessoas próximas, admitindo que sofria violência doméstica. A pedagoga está presa no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, cidade da região metropolitana do Rio.

Apesar do relato de Monique a pessoas próximas ter chegado à polícia, os investigadores ainda terão que confirmar os relatos. Monique e o vereador tiveram a prisão decretada pela juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri. Eles são investigados pelo assassinato de Henry e foram presos pela acusação de estarem atrapalhando as investigações.

No novo depoimento de Thayná Ferreira, babá de Henry, ontem a funcionária admitiu que Jairo e Monique brigavam de maneira constante e que chegou a ver os dois arrumando malas para sair de casa.

Monique trocou de defesa na segunda-feira (12). A partir de agora ela será defendida pelos advogados Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Assad. Até o fim de semana, a pedagoga e o parlamentar eram atendidos por André França Barreto. "Ela jamais mencionou para mim qualquer episódio de agressão tanto do Jairinho para ela ou do Jairinho contra o Henry", afirmou Barreto, que segue na defesa apenas do vereador. Os novos advogados de Monique disseram que estão estudando os autos. "Possuímos apenas uma estratégia: atuar com a verdade. Trabalharemos com os fatos conforme ocorreram e dentro dos princípios reitores do nosso ordenamento jurídico", informaram, por nota.

No presídio, há um clima de muita revolta entre as demais presas. Ela chegou à unidade na quinta-feira (8) ouvindo gritos em coro "uh, vai morrer". Ela está isolada e deve permanecer assim por um longo período por medidas de segurança.

Outras mulheres que se relacionaram com o vereador já admitiram também terem sido agredidas por ele. Ana Carolina Ferreira Netto, ex-mulher de Jairinho, relatou uma agressão em 29 de dezembro de 2013.

Durante a briga, o ex-marido segurou Ana Carolina pelo braço e chegou a arrastá-la até a cozinha. Depois passou a chutá-la por diversas vezes, em meio a diversos xingamentos. Ela chegou a fazer um exame de corpo de delito para demonstrar as agressões, mas depois desistiu da denúncia. Na sexta-feira (9), ela prestou depoimento no inquérito que apura a morte de Henry e reiterou as acusações feitas anteriormente.

Uma ex-namorada de Jairinho também fez um relato de agressão e contou que os pontos de um implante de silicone foram rompidos após uma agressão do parlamentar. Também foram prestados depoimentos mostrando que Jairinho agrediu os filhos dessas mulheres que tinham idades próximas a Henry.

"Ela disse lembrar que ele a afundava na piscina. Também relatou que ele subia na barriga dela, enquanto ela estava deitada, e torcia o braço e a perna dela", contou uma das ex-namoradas sobre o relato da filha.