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15 dias

Cabeleireira diz que Monique brigou com Jairinho por reclamação de Henry

O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros, e do padrasto, o vereador Dr. Jairinho - Reprodução
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros, e do padrasto, o vereador Dr. Jairinho Imagem: Reprodução

Daniele Dutra e Heloísa Barrense

Colaboração para o UOL, no Rio e em São Paulo

15/04/2021 12h24

A cabeleireira responsável por atender Monique Medeiros no dia 12 de fevereiro prestou ontem um depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca) para falar sobre o ocorrido. De acordo com o relato, obtido pelo UOL, a profissional presenciou a ligação por volta das 16h30, em que Henry relatou as agressões de Dr. Jairinho (sem partido).

Segundo o relato, Monique foi atendida para serviços de hidratação e embelezamento de pés e mãos. A profissional estava responsável por cuidar dos cabelos de Monique e começou a lavá-los enquanto ela estava no telefone com o filho, Henry.

Durante a conversa, a cabeleireira afirmou que a criança perguntou à Monique se estaria atrapalhando a mãe. "O tio disse que eu te atrapalho", teria dito Henry, com um "choro manhoso".

Monique respondeu que não e a criança pediu para que a mãe retornasse para casa. A professora questionou o menino sobre o que havia acontecido. Neste momento, a cabeleireira não pôde ouvir se a criança respondeu que "o tio bateu" ou "o tio brigou". Ela ainda revelou que a babá Thayná filmou o garoto mancando.

Após a cena, Monique retorna a questionar o que havia acontecido e a babá responde que não viu "porque a porta estava trancada". A cabeleireira então deixou Monique na "pausa" para a hidratação dos cabelos e retornou cerca de cinco a dez minutos depois, observando que a cliente estava agitada.

A mãe de Henry já havia terminado os procedimentos nas unhas, foi transferida do lavatório para a cadeira do salão. No novo ambiente, ela participou de uma outra chamada telefônica - que a profissional não sabe se foi ela quem fez ou recebeu o telefonema. De acordo com ela, Monique já iniciou a conversa afirmando:

"Você nunca mais fale que meu filho me atrapalha porque ele não me atrapalha em nada."

A cabeleireira ainda afirmou que lembra de Monique acrescentar: "Você não vai mandar ela embora, porque se ela for embora, eu vou junto. Porque ela cuida muito bem do meu filho, ela não fez fofoca nenhuma, quem me contou foi ele."

O interlocutor, que acredita-se ser o vereador Dr. Jairinho (sem partido), diz "algo" ao que Monique respondeu, exaltada: "Quebra, pode quebrar tudo mesmo. Você já está acostumado a fazer isso".

A profissional ainda conta que a professora gritava no telefone, "razão pela qual os presentes puderam ouvir sua conversa" e que, ao encerrar a chamada, ela perguntou se havia algum lugar no shopping onde vendesse câmeras. A cabeleireira então indicou uma loja de eletroeletrônicos.

Monique teria se apressado após o episódio, pagando os serviços e indo embora do salão. De acordo com a profissional, ela retornou ao estabelecimento mais duas vezes antes da morte de Henry, no dia 8 de março, mas foi atendida por outras pessoas.

No dia 12 de março, Monique retornou ao salão e pediu pelos serviços da cabeleireira, que estava com outra cliente na ocasião. A professora então foi recepcionada por outra profissional do estabelecimento. Entretanto, segundo relato, a cabeleireira pôde ver Monique de longe e perceber que ela estava "abatida".

No dia 18 de março ela veio a saber, "pelos comentários no salão", que Monique era a mãe de Henry, que havia morrido no início daquele mês. Ela afirmou, durante o depoimento, que ficou "mexida" e com "consciência muito pesada" ao ter conhecimento do fato. Ela ainda disse entender que sabia que o episódio presenciado era um fato relevante, que poderia ser útil às investigações, mas não teve "coragem" de noticiar à polícia por medo.

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