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15 dias

Henry: Cadeia com denúncia de regalias teve quitutes e academia para Cabral

8.abr.2021 - Dr. Jairinho (no alto da foto) e Monique (na parte de baixo) são presos pela Polícia Civil no Rio - Divulgação/Polícia Civil
8.abr.2021 - Dr. Jairinho (no alto da foto) e Monique (na parte de baixo) são presos pela Polícia Civil no Rio Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

15/04/2021 04h00

A denúncia revelada pelo UOL de privilégios ao vereador Jairinho (sem partido) e à professora Monique Medeiros enquanto estiveram no presídio José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio, não foi o único relato do tipo na unidade prisional.

Sérgio Cabral, ex-governador do Rio, teve acesso a uma academia de uso exclusivo, quitutes e até a uma "sala de cinema" em 2017, quando era um dos detentos da unidade, segundo o MP-RJ (Ministério Público do Rio). O presídio —que à época recebia presos da Operação Lava Jato— passou a ser usado no ano seguinte para triagem de presos no sistema carcerário.

Na lista de iguarias apreendidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio) na cela de Cabral, havia queijos finos variados, bolinhos de bacalhau e até iogurte em baldes de gelo. A rede de serviços e favores também incluía colchões fora do padrão, visitas fora do horário permitido e uma academia própria —o que é proibido.

Após o episódio, a juíza Caroline Vieira Figueiredo, do Rio, e o então juiz federal Sergio Moro determinaram a transferência imediata de Cabral para um presídio no Paraná por conta das supostas regalias a que ele teria tido acesso no sistema prisional fluminense. Preso desde 2016, Cabral foi condenado a mais de 280 anos de prisão após denúncias da Lava Jato.

Por meio de ação civil pública, o MP fluminense acusou Cabral e a então direção da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) de improbidade administrativa. Para a promotoria, os privilégios teriam ligação com uma aliança entre a cúpula que então administrava o sistema penitenciário no estado e Cabral.

Na ocasião da denúncia, a defesa negou que o ex-governador tenha ganhado "benesses indevidas nas unidades em que esteve acautelado".

Contudo, essa não foi a única denúncia de privilégios no local. Em 2011, quando ainda funcionava como BEP (Batalhão Especial Prisional), unidade destinada a policiais detidos, as câmeras de monitoramento flagraram a entrada de 2.600 latas de cerveja no pátio da unidade.

Beijo na sala do diretor, denunciam agentes

Após serem presos na quinta-feira (8) por suspeita de atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas, mãe e padrasto do menino Henry Borel foram levados ao presídio de Benfica, porta de entrada do sistema penitenciário na capital.

Policiais penais que atuam na unidade fizeram denúncias ao UOL de privilégios ao vereador Jairinho (sem partido) e à professora Monique Medeiros durante as duas horas em que permaneceram na unidade, que funciona como centro de triagem para o sistema prisional.

De acordo com os relatos, o casal pôde se despedir com beijo e abraço, e Jairinho permaneceu todo o tempo na sala da direção, com direito a lanche. De acordo com relatos ao UOL, Jairinho dava gargalhadas e conversava com o diretor no local. Os agentes contam ainda que o próprio diretor ordenou a compra de pão, refrigerante e café.

Jairinho permaneceu o tempo inteiro na sala do diretor e só deixou o local para ir à audiência de custódia —sem algemas e sem o uniforme da Seap—, segundo os agentes. Os servidores dizem que Jairinho não passou pela revista de praxe.

Denúncia motivou saída de diretor

A denúncia motivou o pedido de afastamento de Ricardo Larrubia da Gama, então diretor da unidade, e do subdiretor Felipe Veigo Pimentel —as transferências foram publicadas em boletim interno da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) de segunda-feira (12).

O UOL não conseguiu localizá-los para que comentassem as denúncias e a saída da unidade. A reportagem também encaminhou as denúncias às defesas de Jairinho e Monique e aguarda posicionamento.

A Seap disse ter encaminhado imagens de câmeras de segurança da unidade ao MP-RJ (Ministério Público do Rio) —o material não foi divulgado.