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15 dias

SP: Ex-vereadora travesti foi morta por disputa de liderança, diz polícia

A ex-vereadora Madalena Leite foi assassinada em Piracicaba na madrugada de 7 de abril - Divulgação / Câmara de Piracicaba
A ex-vereadora Madalena Leite foi assassinada em Piracicaba na madrugada de 7 de abril Imagem: Divulgação / Câmara de Piracicaba

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

16/04/2021 23h42

A Polícia Civil de Piracicaba (a 138 km de São Paulo) afirma ter esclarecido a morte da ex-vereadora Madalena Leite, 64, encontrada morta na casa onde morava, com lesões na cabeça. Três pessoas teriam cometido o crime no dia 7 de abril. A ex-parlamentar foi a primeira travesti eleita para ocupar um cargo na Câmara Municipal da cidade.

O motivo seria uma disputa pela liderança comunitária do bairro Vila Sônia. Dois dos presos também teriam participado de outro homicídio na cidade, e a possível relação entre os casos é apurada.

Segundo Juliana Ricci, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (DEIC), três pessoas foram presas no fim de semana passado durante uma averiguação de uma denúncia de tráfico de drogas. Porém, quando os policiais chegaram à casa de um dos suspeitos, encontraram roupas que eram semelhantes às usadas por Madalena.

"Nós desconfiamos daquilo. Eram roupas que não pareciam pertencer ao suspeito. Apreendemos roupas, um lenço e algumas joias. E aí chamamos familiares da Madalena, que reconheceram e confirmaram que ela não tinha dado as roupas para ninguém. Foi aí que puxamos o fio do caso", comentou Ricci.

As identidades dos detidos não foram divulgadas ainda, apesar de a prisão preventiva ter sido concedida pela Justiça.

O dia do crime

A polícia apurou que um dos presos chamou Madalena na casa dela, na Vila Sônia. Quando saiu, a ex-vereadora foi imobilizada pelo segundo comparsa, enquanto o terceiro entrou na residência e revirou a casa em busca de joias, dinheiro e roupas.

Madalena teria conseguido se soltar, mas um dos homens a atingiu com vários golpes de facão na cabeça. Ela morreu no local.

"O homem que matou Madalena era uma espécie de líder comunitário e teve desavenças com ela sobre isso. Vamos colher ainda novos depoimentos dele para tentar entender melhor o que teria causado essa desinteligência", afirmou a delegada da DEIC.

O UOL não conseguiu contato com a defesa do trio.

Outro caso

Assim que foram detidos, no final de semana, dois suspeitos confessaram que participaram da morte de Marcos Henrique Baldasin, conhecido como Marquinhos, que aconteceu no dia 9, também em Piracicaba.

A vítima foi encontrada na Rua Geraldo Rocha, bairro Vila Sônia, sem roupas e com marcas de perfurações por faca.

Uma testemunha relatou que viu dois suspeitos na rua, um deles esfaqueando a vítima e o outro dando chutes.

"Por enquanto, não há nada que ligue a morte da Madalena com a do Marquinhos, mas estamos investigando uma denúncia informal que chegou a nós, dizendo que Marcos teria sido morto por 'espalhar' quem seriam os autores da morte da ex-parlamentar", completou Ricci.

Da comunidade à Câmara de Vereadores

Madalena Leite foi eleita em 2012 pelo PSDB, com 3.035 votos. A parlamentar tinha atuado por mais de 20 anos como líder comunitária e era popular na cidade por usar acessórios considerados femininos.

Negra, com cerca de 1,80 m de altura e com apenas o ensino fundamental completo, Madalena Leite nasceu em um corpo masculino, mas há mais de 40 anos se identificava como mulher.

A parlamentar chegou a disponibilizar seu gabinete para tirar dúvidas da população com relação às listagens de inscritos no Programa de Moradias Populares do Governo Federal "Minha Casa Minha Vida", em parceria com o Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal, Casa Paulista e Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba).

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