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Henry: Defesa de Monique diz que inquérito tem erros; polícia reage

8.abr.2021 - Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, 4, morto na madrugada de 8 de março - Reginaldo Pimenta/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
8.abr.2021 - Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, 4, morto na madrugada de 8 de março Imagem: Reginaldo Pimenta/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

04/05/2021 13h39

A defesa de Monique Medeiros criticou a Polícia Civil pela conclusão do inquérito que investigou a morte do menino Henry Borel. Os advogados da professora disseram que o caso "foi finalizado prematuramente com erros investigativos".

Segundo Thiago Minagé, Thaise Assad e Hugo Novais, "Monique não teve igual direito, em 'dois pesos e duas medidas'" —referindo-se a outras pessoas que prestaram mais de um depoimento. A despeito dos reiterados pedidos da defesa, a polícia não ouviu novamente a mãe de Henry após mudança de versão.

"Mesmo a reconstituição dos fatos, baseada em versão irreal de Monique sob coação e dissimulação, é imprestável. O Inquérito não aprofundou investigação sobre receitas, obtenção e uso de medicamentos, relatado pelas vítimas, embora esta defesa tenha expressamente requerido", disse a defesa.

O delegado da 16ª DP, Henrique Damasceno, disse que o argumento da defesa de que a recusa de ouvir a mãe de Henry novamente seria uma forma de calar Monique é "descabido". "A única pessoa que foi calada nessa situação toda foi o Henry, ele pediu ajuda e não foi ouvido."

O delegado Antenor Lopes, diretor de Polícia Civil da capital, também rebateu as acusações dos advogados de Monique.

"Isso não é verdade. Acompanhei pessoalmente e vi por inúmeras vezes o Dr. Henrique e a Dra. Ana Carolina trabalhando finais de semana, feriados. Lamentamos esse tipo de tentativa desesperada de quem está tendo dificuldade de encontrar argumentos."

Em nota, a defesa de Monique Medeiros disse que a polícia "estranhamente promoveu vazamentos seletivos apenas do conteúdo do celular de Monique e não deu acesso à defesa a integralidade da investigação, com graves violações a prerrogativas profissionais e dispositivos processuais penais".

Antenor Lopes questionou novamente o posicionamento dos advogados dizendo que o titular da 16ª DP "trabalhou de forma ética".

Os advogados da mãe de Henry se queixaram alegando que a Polícia Civil "desprezou repetição de comportamento criminoso padrão de violências contra mulheres e crianças, sem levar em conta que Monique é mais uma das muitas vítimas, com o terrível diferencial da trágica morte de Henry".

Durante a entrevista coletiva a respeito da conclusão do inquérito da morte de Henry, Antenor Lopes disse que Dr. Jairinho e Monique Medeiros "contrataram outras equipes de advogados e a estratégia dos advogados da Monique foi começar a acusar o vereador Dr. Jairinho que até então alegavam a mesma versão".

"Eles estavam em total sintonia e por isso ela está sendo responsabilizada pela morte de Henry, por isso ela responde pelo resultado morte e pelo resultado tortura. Eu na qualidade de diretor afirmo que a lei, a Constituição, todos os direitos foram respeitados", finalizou o delegado.

Por fim, os advogados disseram que irão "trabalhar com objetivo de fazer prevalecer a verdade na Justiça. Tratar Monique como coautora do crime é erro injustificável". A defesa finalizou alegando que a mãe de Henry "é inocente".

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