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SP: Jovens presos após baterem em carro de delegada são soltos

Gustavo Alcantara Lacerda, Alex Vinícius Medeiro da Silva, Pedro Henrique Ferreira da Silva e Matheus Leal de Carvalho, presos por tentativa de roubo em Cotia (SP) - Arquivo pessoal
Gustavo Alcantara Lacerda, Alex Vinícius Medeiro da Silva, Pedro Henrique Ferreira da Silva e Matheus Leal de Carvalho, presos por tentativa de roubo em Cotia (SP) Imagem: Arquivo pessoal

Rayne Andrea de Oliveira e Marcos Xavier

Colaboração para o UOL, de Cotia (SP)

12/05/2021 19h39

Quatro jovens presos por tentativa de roubo, em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, foram soltos nesta quarta-feira (12), após decisão judicial. Segundo a defesa, eles negam o crime e dizem que apenas bateram no carro da delegada Ana Karina Marin, que trabalha na mesma cidade, e fugiram, com medo.

Alex Vinícius Medeiro da Silva, 18, Matheus Leal de Carvalho, 21, Gustavo Alcantara Lacerda, 21, e Pedro Henrique Ferreira da Silva, 19, foram detidos no feriado de 1º de maio, após saírem para dar uma volta de moto.

No boletim de ocorrência, a delegada relata que foi cercada por três motocicletas e escutou de um dos rapazes o grito de: "Perdeu". Ainda conforme o registro policial, ela teria jogado o carro em uma das motos, o que ocasionou a colisão e a fuga do quarteto.

A prisão preventiva foi revogada pelo juiz Dr. Sergio Augusto Duarte Moreira, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

A prisão preventiva só tem cabimento se preenchidos os pressupostos e requisitos do artigo 312 do Código do Processo Penal, isto é, prova da materialidade, indícios de autoria e um dos fundamentos que tornem o cárcere necessário.
Sergio Augusto Duarte Moreira, juiz

Os rapazes passam a responder o processo em liberdade, cumprindo requisitos judiciais. Para o magistrado, a prisão foi concretizada apenas com base no relato de acusação, sem considerar que os jovens não estavam com armas nem que eles eram réus primários e apresentam residência fixa.

O juiz também levou em conta as conversas que mostravam que o encontro foi marcado para realizar manobras com a moto.

O UOL teve acesso a mensagens no WhatsApp entre os jovens, antes de todos saírem para se encontrar. No conteúdo divulgado pela família (e que está copiado abaixo, como o grupo escreveu), eles combinaram a ida até o município de Vargem Grande Paulista, onde costumavam realizar as manobras com motos. Foi Gustavo que convidou os amigos para um passeio que deveria durar até as 15h.

[09:38] Gustavo: Vamo dar uns gral agora?
[09:38] Alex: Na onde???
[09:38] Gustavo (mensagem de áudio): Viado, vamos lá pra Vargem agora? Ía dar um salve no Matheus agora, ver se ele quer ir, parça. Aproveitar que tá cedo.
[09:40] Alex: kkk 11:00 vou trampa doido [09:40] Alex: Eae mais se vc for vai fica lá até que horas?
[10:00]: Alex: Chama o Matheus vamo aí

As famílias estão se organizando para promover um protesto, na próxima sexta-feira (14).

"Eles estão em liberdade provisória e ainda não se livraram da acusação. A gente sabe que, como eles, muitos jovens são atingidos todos os dias por essas prisões forjadas, por essa opressão tão forte ao corpo periférico, pobre, negro", disse Marina Ferreira, prima de dois dos quatro acusados.

Para ela, as motos não deveriam ser problemas para os rapazes. "Eles têm a moto como um lugar de trabalho e de ascensão social, é o que eles encontraram para conseguir trabalhar."

A defesa comemorou a decisão e destacou que vai continuar trabalhando. "Vencemos a primeira batalha, mas ainda temos que aguardar o processo e provar a inocência deles", afirmou Leonardo Medeiros Carvalho Xavier, advogado de Gustavo e Matheus.

O UOL não conseguiu localizar a delegada Ana Karina Marin.

Na semana passada, em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública de São Paulo disse que os quatro jovens foram "presos em flagrante por tentarem roubar duas mulheres, sendo uma delas delegada de polícia".

A pasta, no entanto, não respondeu por que os suspeitos estariam presos se a prova contra eles, segundo o boletim de ocorrência, era apenas o relato da delegada. "Todos foram reconhecidos pelas vítimas na Delegacia de Cotia, que instaurou inquérito policial. A prisão dos quatro foi apreciada pelo Poder Judiciário, que também aceitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva."

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