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Vídeo mostra últimos momentos de vida de grávida achada morta e sem o bebê

Daniele Dutra

Colaboração para o UOL, no Rio

21/09/2021 13h47

Uma câmera de segurança registrou os últimos momentos de vida de Thaysa Campos dos Santos, 23, grávida de oito meses encontrada morta sem o bebê em Deodoro, zona norte do Rio.

O UOL teve acesso ao vídeo que mostra a manicure sendo levada por um homem, ainda não identificado, para um matagal. As imagens são de 4 de setembro de 2020, às 2h08. Até o momento, o caso, que continua sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital, não foi elucidado.

No começo do vídeo, é possível ver o homem segurando o pescoço da manicure e dando um golpe "mata-leão" quando ela tenta se desvencilhar. Em seguida, ele coloca a mão no ombro dela e a conduz até o matagal.

No vídeo, é possível identificar dois carros estacionados em uma cobertura e uma casa ao fundo da imagem.

Thaysa dos Santos, 23, estava grávida de 8 meses quando foi morta - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Thaysa dos Santos, 23, estava grávida de 8 meses quando foi morta
Imagem: Arquivo pessoal

O matagal dá acesso a uma linha férrea da estação de Deodoro. Uma semana depois, ela foi encontrada nesse mesmo local, sem sutiã, apenas de calcinha, com a bolsa de maternidade por baixo do corpo e as roupas ao lado, segundo a mãe vítima, Jaqueline Tavares Campos, 51.

"A polícia tem feito muitas diligências, ouvido testemunhas, mas como o caso é sigiloso, não podemos falar muito para não atrapalhar, mas tem avançado bem. A identificação desse personagem do vídeo é a peça que falta para esse quebra-cabeça. A ampla divulgação do vídeo vai ser fundamental para solucionar o caso", disse Zoser Hardman, advogado da família.

O crime completou um ano no dia 4 de setembro e, até o momento, não se sabe a causa da morte da grávida e tampouco onde está o bebê que ela esperava.

No mês passado, o corpo da manicure passou por uma exumação e, a partir de material coletado, estão sendo feitos nesta semana exames toxicológicos. A polícia quer saber se ela foi obrigada a ingerir medicamentos abortivos, entre outras substâncias, antes de ser morta.

Para isso, foram recolhidas amostras da medula óssea da jovem assassinada. "Estamos fazendo testes mais precisos, as amostras ainda estão sendo examinadas, mas os resultados conclusivos ainda não saíram", disse ao UOL uma perita que atua no caso, mas preferiu não se identificar.

O laudo do IML (Instituto Médico-Legal) feito à época do crime não identificou vestígios de placenta ou cortes na barriga que pudessem indicar a retirada do feto por ato cirúrgico.

A psicopedagoga Jaqueline Campos disse em um vídeo, na semana passada, que a filha lhe dizia em um sonho quem eram os autores do crime. "Eu peguei um papel e uma caneta e anotei esses nomes. Não vou falar aqui, mas já passei para a polícia e eles já estão investigando."

"Meu coração está apreensivo, mas esperançoso de que a justiça será feita", disse a mãe de Thayse ao UOL.

Relembre o caso

Mãe de duas crianças, a manicure era solteira e estava em sua terceira gestação. O pai do bebê estava separado, mas tinha um relacionamento conturbado com a ex-esposa.

Thaysa morava em Deodoro com uma amiga, que é da mesma família da ex-companheira do pai da criança que estava para nascer.

Na noite do desaparecimento, a manicure tinha dito à irmã que buscaria uma bolsa de bebê, por volta das 22h, mas não voltou para casa. Por meio de imagens de câmeras de segurança da estação de trem de Deodoro, a polícia identificou Thaysa sendo abordada por um homem pelas costas nas imediações da estação.

O celular de Thaysa foi roubado e vendido em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a 35 km do local onde o corpo foi encontrado.

Segundo a mãe de Thaysa, a mulher que comprou o aparelho disse à polícia que o homem das imagens é o mesmo que vendeu o celular para ela. O criminoso ainda não foi preso.

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