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15 dias

Nuvem de poeira pode voltar caso seca permaneça, diz professor

Colaboração para o UOL

27/09/2021 09h07Atualizada em 27/09/2021 10h07

A nuvem de poeira vista ontem nas cidades de Franca e Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, pode retornar quando as chuvas de primavera acabarem, segundo análise de Pedro Cortês, professor do IEE/USP (Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo).

O professor explicou que a nuvem que assustou moradores da região se formou pela combinação de "solo muito ressecado, sem umidade que retenha essa poeira na superfície e, quando vem a chuva, o vento tem poder de levantar essa poeira, porque tem circulação vertical intensa", disse ao UOL News.

O fenômeno é raro, como frisou Cortês. Sobre a previsão de algo parecido ocorra novamente, ele falou que a população de São Paulo não deve esperar outra nuvem dessas na próxima semana. "É difícil prever que isso vá acontecer em determinado dia, mas é possível caracterizar possibilidade caso persista a seca e tenhamos avanço de frente fria", afirmou.

Além disso, o professor ressaltou que os prognósticos climáticos não estão favoráveis para reverter o quadro de seca severa no estado.

As primeiras chuvas da primavera poderão dar sensação de volta à normalidade, mas a estiagem severa volta à medida que nos aproximamos do verão. Episódios como esse não estão fora do radar. É claro que, à medida que essas áreas forem plantadas, isso pare de ocorrer".

Ontem, enquanto a nuvem passava pelas cidades de São Paulo, internautas começaram a especular que o fenômeno estava sendo causado pelas mudanças climáticas, o que foi confirmado por Cortês. "Infelizmente há tendência de enfrentar outra seca extrema no futuro, essa é a terceira estiagem grave em São Paulo só nesse século, ou seja, em 20 anos", falou.

O professor também chamou atenção para o risco de saúde de inalar partículas presentes naquela nuvem, que podem conter outros contaminantes, como restos das queimadas que ocorrem pelo estado. "Esse material fino tem acesso às vias mais profundas do sistema respiratório", alertou.

Outro obstáculo para os moradores dessas regiões é o rastro deixado nas casas em momento de racionamento de água. "Fica uma poeira muito fina, as pessoas vão ter dificuldade de limpar isso, especialmente em um cenário em que a água deve ser reservada principalmente para consumo humano", frisou Cortês.

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