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Conteúdo publicado há
15 dias

Estudante é assediada ao andar de bicicleta, cai e fica ferida: 'Covarde'

Do UOL, em São Paulo

28/09/2021 13h36Atualizada em 29/09/2021 12h52

Um homem foi preso hoje por importunação sexual e lesão corporal contra uma estudante de direito, assediada enquanto andava de bicicleta na cidade paranaense de Palmas, no domingo (26). Em vídeo publicado nas redes sociais, Andressa Lustosa, de 25 anos, mostra o exato momento em que um carro se aproxima e o passageiro passa a mão nas suas partes íntimas, fazendo-a cair da bicicleta e se machucar. Ao UOL, a Polícia Civil do Paraná confirmou a prisão em flagrante. O condutor do veículo, já identificado, é considerado procurado e responderá pelos mesmos crimes.

"Infelizmente, foi muito pior do que eu imaginava! Nós, mulheres, não temos um minuto de paz! Sai de casa para andar de bicicleta e volto toda machucada pra casa por uma atitude covarde dessas! Todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas. Estou bem, só quero que paguem pelo o que fizeram", escreveu ela, junto às imagens, em sua conta no Instagram.

Nos stories, Andressa ainda mostrou que sofreu escoriações após o acidente.

andressa - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Andressa mostrou machucados após acidente
Imagem: Reprodução/Instagram

Ao programa "Encontro", ela ainda informou que, no momento do assédio, não havia compreendido o que de fato tinha ocorrido.

"Na hora que aconteceu, por ser uma rua larga, [não foi] sem querer, não tinha possibilidade [de ser sem querer]. No primeiro momento, minha família achou que era alguém tentando me matar. Na hora, não senti ele encostando em mim. Fui saber ontem. O dono da casa [em que a câmera estava instalada] disse que os rapazes vieram passar a mão em mim", afirmou.

Ela ainda contou que foi até a delegacia com os advogados, onde registrou boletim de ocorrência.

"Quero que essa pessoa pague pelo que ela fez. Na verdade, não era um, eram de três a quatro no carro que eu consegui ver. Tá na hora de alguém tomar atitude, é humilhante, nós, mulheres, não podermos sair na rua fazer exercício, em pleno século 21? Isso não é normal. Tem que entender que eles têm que respeitar, passou dos limites", disse.

Prisão e buscas

De acordo com a polícia, de fato, quatro pessoas ocupavam o veículo na hora da importunação sexual, no domingo (26). Todos já foram identificados e, segundo depoimento de dois dos passageiros, o grupo estava sob efeito de álcool e os dois amigos que estavam no bando de trás não teriam participado ativamente da ação.

Segundo o delegado Felipe Souza, o caso já está parcialmente resolvido e confirma que verificou ação criminosa apenas condutor, ainda não localizado, e no passageiro do banco da frente, que teve a ação gravada por câmera de segurança e chegou a dizer não ter percebido a presença da vítima.

"[Ele] Negou ter passado a mão na vítima. Disse, segundo ele, que já estava com o braço para fora do veículo e que não se deu conta que tinha acertado a ciclista, a Andressa. Só que, na verdade, a gente verificou pelos vídeos que ele estava com o braço recolhido, o veículo estava do outro lado da faixa, faz a aproximação e, então, nesse momento que [...] ele põe o braço pra fora, no intuito de importunar a vítima", explica Souza, acrescentando que, se condenados, os jovens podem cumprir penas que vão de 1 a 5 anos de reclusão.

Repúdio

O escritório de advocacia em que trabalha, o Loureiro & Lehnhard, publicou na manhã de hoje uma nota repudiando o crime. "O ato repugnante e de extrema covardia deixa evidente, mais uma vez, que o sexismo enraizado na sociedade é um problema grave, que põe em risco, diariamente, a vida e a integridade das mulheres, unicamente pelo fato de ser mulher. A cultura machista deve ser confrontada e rompida para que toda e qualquer forma de violência em razão do gênero seja erradicada. Situações como esta não podem ser vistas como algo normal ou corriqueiro", diz a nota.

"Não é brincadeira, nem piada e qualquer tolerância a esses padrões sociais deve ser abolida. Este assunto deve ser tratado com prioridade pelas instituições, políticas públicas e pela sociedade. A conscientização e o apoio social são fundamentais para que esta trágica realidade seja transformada. A luta deve persistir até o momento em que todas as mulheres possam ser elas mesmas, onde quer que estejam, em segurança. Prestamos nossa solidariedade à vítima e às demais mulheres que diariamente vivenciam situações como essa."

O escritório ainda informou que "todas as medidas judiciais e administrativas estão sendo tomadas para que os culpados sejam responsabilizados."

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