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O que se sabe e o que ainda é dúvida sobre as mortes no Salgueiro, no RJ

22.nov.2021 - Corpos achados por moradores no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) - Marcos Porto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
22.nov.2021 - Corpos achados por moradores no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ) Imagem: Marcos Porto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

24/11/2021 04h00

Dois dias após moradores retirarem oito corpos de um mangue na Palmeira, dentro do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio, os nomes dos mortos já foram divulgados, mas ainda há dúvidas sobre as circunstâncias das mortes. A DHNSG (Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) abriu investigação sobre o caso. Segundo a PM, as mortes resultaram de confrontos durante o que chamam de "operação de estabilização", realizada após um sargento ser morto. Mas não se sabe quantos ou quem são os policiais envolvidos na ação.

O UOL reúne as perguntas já respondidas sobre o caso, e o que ainda falta ser esclarecido.

O que acontecia no Complexo do Salgueiro?

A PM afirma que ocupou o Complexo do Salgueiro na quinta-feira (18) com "objetivo de combater a criminalidade". O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, disse que a ação foi planejada e "algo necessário para impedir que a sociedade continue sendo vítima de bandidos". Houve confronto durante todo o fim de semana.

Quem são os mortos?

De acordo com a Polícia Militar, no sábado (20), o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva foi atingido por um tiro, que partiu de criminosos, e não resistiu. Ainda de acordo com a PM, no domingo (21), Igor Souza Coutinho, de 24 anos, que seria um dos responsáveis pela morte do sargento, foi morto em um confronto.

Na segunda (22), moradores retiraram oito corpos de um mangue. De acordo com o registro de ocorrência da DHNSG, são 4 homens pardos, 1 homem branco e 3 não tiveram sua identificação de cor/raça registrada. Cinco deles, de acordo com apuração do UOL, têm passagem pela polícia, sendo um citado em uma investigação. Sobre um deles não há informações do tipo.

Ainda há desaparecidos no mangue?

As lideranças comunitárias, a Faferj (Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro), a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ monitoram se haverá famílias buscando desaparecidos nos próximos dias. Fontes do UOL afirmam que, para pedir uma incursão do Corpo de Bombeiros na comunidade, é necessário que haja essa reclamação ou indícios de que há mais corpos na mata.

Em visita ao Complexo do Salgueiro, a reportagem ouviu moradores relatando que foram retirados, ao todo, 11 mortos do mangue, mas sem elementos que comprovem o número.

Quem são os policiais envolvidos na operação?

A Polícia Civil ainda não sabe quantidade e identificação dos agentes envolvidos. A corporação pediu que a Polícia Militar informe formalmente os nomes de todos os policiais do 7º BPM (Batalhão da Polícia Militar) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) envolvidos na operação.

Moradores relatam que um grupo de cerca de 20 policiais invadiram e fizeram festa em um estabelecimento local, antes e depois da chacina.

As armas foram apreendidas?

Ainda não. A Polícia Civil solicitou que a PM envie, junto à relação de agentes envolvidos na operação, as armas que eles portavam durante as ações do fim de semana. Também não foram encontradas armas de fogo junto aos corpos do mangue. Mas as condições geográficas — moradores falam em lama na altura do peito — e a instabilidade do terreno podem explicar o sumiço. Não há qualquer hipótese descartada, como o sumiço das armas por parte de outras pessoas.

O registro de ocorrência afirma que técnicos da Polícia Civil fizeram a perícia do local e recolheram 25 estojos de munição de fuzil calibre.762, 12 estojos e um cartucho de fuzil .556, além de quatro estojos de calibre .9mm, utilizado em pistolas das polícias — até 2019 essa munição era de uso restrito, mas um decreto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) liberou a compra por civis.

Quem já depôs sobre a chacina?

A Polícia Civil não divulga os nomes dos depoentes, mas afirma que já começou a ouvir testemunhas e que o trabalho seguirá desta forma ao longo da semana.

Houve tortura?

Moradores que ajudaram a retirar os corpos do mangue afirmam que havia marcas de esfaqueamento e, inclusive, um corpo degolado. Mas essas respostas só serão definitivas quando sair o resultado dos laudos de necropsia, que costumam levar 30 dias para ficarem prontos. Devido ao inchaço dos corpos — que passaram a noite na água — não são marcas possíveis de serem confirmadas antes do exame feito pelo IML (Instituto Médico-Legal).

Quem investiga o caso?

Além da Polícia Civil, a Polícia Militar afirmou que abriu um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar as circunstâncias da ação e que colabora com as investigações. O Ministério Público instaurou um PIC (Procedimento Investigatório Criminal) próprio para investigar a ação. A ideia é identificar eventuais violações de direitos.

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