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Saiba quem são as 8 vítimas da ação da polícia em São Gonçalo (RJ)

Moradores do Complexo do Salgueiro recolheram os corpos em área de manguezal - Jose Lucena/Futura Press/Folhapress
Moradores do Complexo do Salgueiro recolheram os corpos em área de manguezal Imagem: Jose Lucena/Futura Press/Folhapress

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

23/11/2021 11h08Atualizada em 23/11/2021 15h43

A Polícia Civil do Rio identificou os oito homens retirados ontem de um mangue do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro. Eles foram encontrados mortos por parentes com ferimentos feitos com arma de fogo, um dia após um policial ser morto na região, durante ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais).

Segundo a contagem de vítimas da Polícia Civil, pelo menos cinco deles possuem antecedentes criminais, sendo que dois não tinham passagem pela polícia. Ainda não há informação sobre a oitava vítima. Parte do grupo estava vestida com roupas camufladas, inclusive um dos suspeitos que não possuía passagem pela polícia, de acordo com a corporação. A polícia não informou se algum deles já havia sido condenado pela Justiça.

O caso foi definido como uma chacina por moradores e pelo Instituto Defesa da População Negra, além de ser apontado como uma tentativa de vingança por integrantes da defensoria pública.

Os mortos foram identificados como:

  1. Carlos Eduardo Curado de Almeida, de 31 anos. Com passagem pela polícia por tráfico, receptação, uso de documento falso, desobediência e ameaça;
  2. Élio da Silva Araújo, de 52 anos. Com passagens pela polícia, ele respondeu a processo por esbulho possessório, quando possuidor de um bem tem sua posse tomada de forma injusta, seja de forma violenta, seja de forma clandestina ou irregular, mas sem o uso de força;
  3. Ítalo George Barbosa de Souza Rossi, de 33 anos. Com passagens pela polícia porte ilegal de arma de fogo, homicídio qualificado, associação para o tráfico e corrupção ativa;
  4. Jonathan Klando Pacheco Sodré, 28 anos. Com passagens pela polícia por anotações por roubos e tráfico no Pará;
  5. Rafael Menezes Alves, de 28 anos. Com passagem pela polícia, ele citado em investigação que apurava tráfico de drogas e corrupção de menores;
  6. Kauã Brenner Gonçalves Miranda, 17 anos. Sem passagem pela polícia;
  7. David Wilson Oliveira Antunes, 23 anos. Sem passagem pela polícia;
  8. Douglas Vinicius Medeiros da Silva, 28 anos. Sem informações sobre passagem pela polícia

Além dos oito mortos encontrados no mangue, o fim de semana em São Gonçalo registrou outras duas mortes: o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, no sábado (20) e Igor Souza Coutinho, de 24 anos, no domingo (21). O PM foi baleado e não resistiu após ser atacado por criminosos. De acordo com a corporação, Igor seria um dos responsáveis pelo ataque ao carro em que o sargento estava, e morreu durante um tiroteio.

Defensoria fala em vingança

Na avaliação da defensora pública do Rio de Janeiro, Maria Júlia Miranda, a ação no Complexo do Salgueiro foi uma "operação vingança" em retaliação à morte do PM no dia anterior.

O Ministério Público já instaurou processo investigatório sobre a chacina. De acordo com os números oficiais, dez pessoas morreram no final de semana no Complexo do Salgueiro: Além dois oito homens retirados do mangue, morreram o sargento da PM e um suspeito, no sábado (20). Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. Segundo a PM, ele foi reconhecido como um dos criminosos envolvidos no ataque aos militares.

Operação foi necessária, diz porta-voz da PM

O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, disse ao UOL que a operação no Complexo do Salgueiro foi informada ao Ministério Público e tinha como objetivo o combate à criminalidade.

Segundo ele, a ação foi planejada e "algo necessário para impedir que a sociedade continue sendo vítima de bandidos". De acordo com ele, os criminosos do Complexo do Salgueiro têm grande atuação nos crimes cometidos na BR-101 que margeia a comunidade.

O Rio de Janeiro tem média de realizar uma operação de alta letalidade por semana desde 2019.

O caso

Os corpos foram encontrados por moradores da comunidade na manhã de ontem, um dia após uma operação realizada na região. A Polícia Militar entrou na comunidade na quinta-feira (18) e registrou confrontos durante três dias. No sábado (20), o sargento da PM, Leandro da Silva, foi baleado no local após um ataque de criminosos. Ele chegou a ser socorrido para um hospital, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

No domingo (21), o Bope foi enviado para a comunidade, após a PM dizer que recebeu informações de que um criminoso ferido e com envolvimento na morte do policial ainda estava no conjunto de favelas. Um intenso confronto ocorreu na região e os suspeitos se abrigaram na mata - onde foram localizados mortos no dia seguinte.

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