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Pena a suspeito de matar mulher, enteada e vizinho pode passar de 120 anos

O caseiro Wanderson Mota Protácio foi levado a delegacia após se entregar em Goiás - Reprodução
O caseiro Wanderson Mota Protácio foi levado a delegacia após se entregar em Goiás Imagem: Reprodução

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

05/12/2021 15h51

Suspeito de assassinar a mulher grávida, a enteada e um fazendeiro no último domingo (28) em Corumbá de Goiás (GO), o caseiro Wanderson Mota Protácio, 21, deverá responder por sete crimes com penas que ultrapassam 120 anos, informou ao UOL Tibério Martins Cardoso, delegado do caso.

Protácio foi preso ontem em Gameleira de Goiás depois que uma fazendeira o convenceu a se entregar. O delegado colheu o depoimento e encaminhou o caseiro para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde aguarda audiência de custódia.

As vítimas foram a mulher, que estava grávida de 4 meses, a enteada, de 2 anos, e um fazendeiro, de 73 anos.

"Quem define a pena é a Justiça, mas 120 anos deve ser a base", afirmou o delegado. "São muitos agravantes, como matar a companheira grávida na frente da filha", que acabou assassinada também.

De acordo com Cardoso, o rapaz pode responder pelos seguintes crimes:

  1. Duplo Homicídio qualificado (feminicídio): Pena 12 a 30 anos de detenção "para cada homicídio, da mulher e da enteada", diz Cardoso;
  2. Aborto (a mulher estava grávida): Pena de 3 a 10 anos. "Ele sabia da gestação de 4 meses", afirma;
  3. Latrocínio consumado: Pena de 20 a 30 anos. "Ele matou um homem para pegar o carro", diz;
  4. Latrocínio tentado: Pena de até 30 anos. "A mulher do homem morto disse que ele tentou matá-la", diz Cardoso. "Quando é tentativa, a pena pode diminuir de um a dois terços, então pode pegar 20 anos";
  5. Tentativa de estupro: Pena de 6 a 10 anos. "Essa mesma mulher disse que ele tentou arrancar sua roupa. Ele nega, disse que a roupa rasgou durante a briga", afirma o delegado.
  6. Furto qualificado: Pena de 2 a 8 anos. "Ele arrombou uma casa para pegar a arma do padrão", justifica;
  7. Porte ilegal de arma: Pena de 2 a 4 anos.

A prisão

Wanderson Protácio foi procurado por seis dias antes da prisão. Durante esse tempo, a polícia chegou a fazer um cerco nas cidades de Abadiânia, Alexânia e Corumbá de Goiás.

Durante esse tempo, ele se alimentou de três pacotes de bolacha e frutas, segundo a polícia, e tentava se manter próximo a córregos e rios para sempre ter água durante a fuga.

Histórico de violência

De acordo com a Polícia Civil, Wanderson já tinha um histórico de violência. Em 2019, o caseiro, com 18 anos à época, tentou matar a facadas uma ex-companheira na cidade de Goianápolis, região metropolitana de Goiânia.

Pela tentativa de feminicídio, ele ficou preso até março desse ano, quando saiu da cadeia e começou o relacionamento com Raniere Aranha, morta no último final de semana.

Após matar Raniere e a enteada, o caseiro fugiu para a casa de um vizinho, onde roubou um revólver e depois matou a tiros o fazendeiro Roberto Clemente, 73.

Ele ainda teria tentado abusar sexualmente da mulher de Roberto e, depois, atirou nela, que se fingiu de morta, mas sobreviveu.

O caseiro fugiu com a caminhonete do fazendeiro e seguiu para Alexânia, no entorno do Distrito Federal. De acordo com a polícia, o suspeito vendeu o celular da mulher na cidade e depois fugiu para a região de Abadiânia.

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