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SP: Irritada com regra, advogada joga leite quente em funcionária de hotel

Área externa do Indaiá Praia Hotel, em Bertioga, no litoral de São Paulo, onde uma hóspede teria agredido uma funcionária - Facebook
Área externa do Indaiá Praia Hotel, em Bertioga, no litoral de São Paulo, onde uma hóspede teria agredido uma funcionária Imagem: Facebook

Andréia Martins

Do UOL, em São Paulo

17/12/2021 11h54Atualizada em 20/12/2021 14h11

Uma funcionária de um hotel em Bertioga, no litoral de São Paulo, foi agredida com leite quente por uma hóspede, no último domingo (12), após explicar regras adotadas pelo estabelecimento em relação à covid-19 e à estadia de pets. O caso foi registrado como lesão corporal e será investigado pela Polícia Civil.

"Ela ficou nervosa, não houve uma discussão", relatou a vítima, que preferiu não se identificar, em conversa com o UOL. Ela conta que tudo começou quando a hóspede, uma advogada de 41 anos, de São Paulo, questionou se poderia soltar o seu cão no gramado da área externa onde é servido o café da manhã no Indaiá Praia Hotel. Ela foi informada que, pelas regras, os animais devem permanecer presos à coleira.

"O hotel aceita pets até 8 quilos e, na reserva, o cliente recebe o regulamento de como deve ser a convivência com o animal. Quando confirma a reserva, o cliente está ciente das regras. Ela disse que era um absurdo pois tinha escolhido o hotel por ser pet friendly. Disse que o cão dela era dócil e continuou balbuciando. Eu disse 'sinto muito, não vai poder soltar mesmo' e saí", relatou a funcionária.

A hóspede voltou e perguntou o nome da vítima e questionando se ela era a proprietária do hotel. Ela teria dito ainda que "não gostou" da forma como a funcionária a tratou e que reclamaria com o dono do hotel. Depois de um tempo, quando foi se servir do café, a advogada não usou a luva na mão que toca a garrafa, um protocolo adotado no hotel durante a pandemia de covid-19.

"Eu cheguei e disse que ela precisava usar a luva na mão que apertava a garrafa. Fui pegar o guardanapo para higienizar a garrafa e no que eu me virei, só senti o líquido quente na minha cara. Me senti envergonhada, com todo mundo olhando para mim, totalmente humilhada ali", disse a funcionária, que sofreu queimadura de primeiro grau na orelha direita.

A advogada, que estava no hotel com o marido e o filho, não teve o nome revelado e ainda não foi localizada pelo UOL. Ela ficou no hotel até a segunda-feira (13). O espaço segue aberto para atualizações caso haja posicionamento da profissional.

Há cinco anos trabalhando no hotel — completados hoje —, a funcionária conta que já passou por situações difíceis com outros hóspedes, abordados para cumprir as regras do estabelecimento, mas nada como o ocorrido.

Vou procurar os meus direitos. Acionei uma advogada e estou fazendo atendimento com psicólogo porque não foi fácil. Ela me agrediu com aquilo que ela tinha na mão, um leite quente que todo mundo sabe que vai ferir alguém. E se ela tivesse uma faca na mão?.

Agora, de volta ao trabalho, ela diz que espera justiça. Segundo a funcionária, a administração do hotel a apoiou durante todo o episódio e ela não voltou a ver a advogada desde o episódio.

"Vou entregar na mão de Deus e na da Justiça. Eu fiz a minha parte. Não revidei, não chamei a polícia para não traumatizar o filho dela. Eu espero que a Justiça seja feita e que ela aprenda a respeitar o ser humano. Porque, além de estar ali, servindo as pessoas, eu sou um ser humano".

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