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'Não era para ele estar ali', diz compadre de piloto morto em Capitólio

Lucas Borges Teixeira

Enviado especial a Passos (MG)

10/01/2022 15h59

O servidor Leandro Eduardo Silva, 39, tentou ligar para o compadre, Rodrigo Alves, 40, no momento em que ficou sabendo do desmoronamento em Capitólio (MG), na tarde de sábado (8). Rodrigo era piloto da lancha "Jesus" e foi identificado como uma das dez vítimas do acidente.

Leandro encontrou com a comadre, mulher de Rodrigo, e sua afilhada, e partiu de Betim (MG) rumo a a Capitólio com a esperança de se tratar de uma coincidência infeliz. Mas teve a confirmação por meio de outro parente, quando ainda estava na estrada. Segundo ele, o piloto nem pretendia estar na lancha no dia.

"Eu mandava mensagem para ele: Gordo, como você tá? Fiquei sabendo de acidente aí... Tá tudo bem, Gordo? Infelizmente, era ele mesmo", conta Leandro.

O compadre e outro familiar foram responsáveis por identificar o corpo, na tarde de ontem (9). Segundo a polícia, foi necessário fazer exame de DNA para reconhecer o corpo de Rodrigo.

Imagens oferecidas por Leandro à reportagem mostram o piloto em setembro do ano passado dando instruções para turistas sobre o colete salva-vidas, que ele chama de "melhor amigo".

No vídeo de 2021, Rodrigo está na mesma lancha que foi atingida na tragédia de sábado.

"Não era para estar lá"

Rodrigo trabalhava como piloto profissional há pelo menos 12 anos e estava em Capitólio há quatro. Já havia atuado em Angra dos Reis e Cabo Frio, no Rio de Janeiro, e em Guarapari, no Espírito Santo. Ele vivia em um apartamento alugado em Capitólio para seguir o trabalho como piloto turístico, enquanto a família morava em Betim.

"Ele amava isso. Sempre preocupado com segurança e lazer dos turistas, aquilo era a vida dele, tinha verdadeira paixão", conta Leandro.

Quando ficou sabendo do acidente, Leandro enviou mensagens ao compadre - Lucas Borges Teixeira/UOL - Lucas Borges Teixeira/UOL
Quando ficou sabendo do acidente, Leandro enviou mensagens ao compadre
Imagem: Lucas Borges Teixeira/UOL

Naquele dia, uma família e amigos, também vítimas, marcaram um passeio fechado. Rodrigo pretendia ir em outra lancha, conta o compadre. "Pouco antes, ele trocou. Falou que queria ir naquela exatamente por causa do nome, Jesus. Não era para ele estar lá", diz Leandro.

O corpo foi liberado do IML (Instituto Médico Legal) de Passos, cidade próxima, e seguiu para Betim, onde o enterro está previsto para amanhã (11).

Na tarde de hoje, todas as dez vítimas haviam sido identificadas. A Polícia Civil não trabalha com mais desaparecidos e já abriu um inquérito para averiguar as causas do desmoronamento.

Ainda segundo a polícia, Rodrigo tinha cursos de pilotagem e tanto sua licença de navegação quanto as da lancha estavam em dia.
"Era um homem que eu não tenho o que falar. Pra uma surpresa dessas a gente não está preparado nunca", lamenta o compadre.

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