PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Fundador da maior milícia do RJ, ex-vereador Jerominho é preso por extorsão

Depois de cumprir pena de dez anos pelo crime de formação de quadrilha, Jerominho ensaiou volta à política - Taís Vilela/UOL
Depois de cumprir pena de dez anos pelo crime de formação de quadrilha, Jerominho ensaiou volta à política Imagem: Taís Vilela/UOL

Igor Mello

Do UOL, no Rio

27/01/2022 16h49

Fundador da Liga da Justiça, maior milícia do Rio de Janeiro, o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, foi preso novamente hoje (27) pela Polícia Civil do Rio.

De acordo com a Polícia Civil, Jerominho foi capturardo pela Polinter (Divisão de Capturas e Polícia Interestadual) por ter um mandado de prisão por extorsão com uso de arma de fogo em aberto. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou que ele foi condenado a sete anos, um mês e dez dias de reclusão em regime semiaberto.

Ele foi acusado em 2005 de comandar a Liga da Justiça —milícia que controlou grande parte da Zona Oeste da capital— e de extorquir, com o uso de armas de fogo, motoristas de van em Campo Grande e bairros vizinhos. Desde 2015 Jerominho já tinha condenação em segunda instância, mas protelou o cumprimento da pena com recursos aos tribunais superiores, em Brasília. O último deles só foi rejeitado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em outubro de 2021, possibiltando que o mandado de prisão fosse expedido pela Justiça do Rio.

Na época, o controle das cooperativas de vans em Campo Grande e outros bairros da Zona Oeste foi alvo de uma guerra sangrenta, com diversos motoristas e líderes de associações mortos, além de veículos incendiados a mando dos milicianos. Segundo investigações realizadas durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Milícias, na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o transporte alternativo rendia R$ 2 milhões por mês ao grupo paramilitar comandado pelo ex-vereador.

Jerominho foi vereador no Rio de Janeiro por dois mandatos, entre 2001 e 2008, sempre eleito com grandes votações —na esteira da dominação de comunidades pela Liga da Justiça. No mesmo período, conseguiu viabilizar a eleição do irmão Natalino Guimarães —que além de chefe da milícia era cantor gospel— como deputado estadual em 2006.

Jerominho e Natalino foram presos pela Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) em 2007, sob a acusação de formação de quadrilha. Mesmo da cadeia, Jerominho foi capaz de eleger a filha Carmen Gloria Guinancio Guimaraes Teixeira, a Carminha Jerominho, vereadora em 2009. Contudo, ela pouco exerceu o mandato, pois foi presa em 2009 por sua participação no grupo paramilitar.

Condenados, Jerominho e Natalino ficaram presos por quase 11 anos, de dezembro de 2007 a outubro de 2018. Eles cumpriram parte da pena no Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Tentativa de retorno à política

Com a prisão de Jerominho e de seus parentes, o poder político do grupo entrou em declínio. Carminha Jerominho tentou sem sucesso se reeleger vereadora em 2012.

Já soltou, Jerominho se filiou ao PMB (Partido da Mulher Brasileira) e chegou a afirmar em entrevistas à intenção de se candidatar a prefeito do Rio de Janeiro em 2020.

Com o risco de ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, ele se contentou em indicar a sobrinha Jéssica Rabello Guimarães como candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Suêd Haidar, presidente do PMB. Filha de seu irmão, ela concorreu nas urnas como Jéssica Natalino.

No mesmo pleito, Carminha Jerominho novamente fracassou ao tentar se eleger vereadora.

Milícia mudou de nome

Após as prisões de Jerominho e Natalino, diversos criminosos assumiram o controle da Liga da Justiça. A milícia mudou de nome em 2014, quando Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, foi alçado ao comando do grupo.

Ex-traficante, Três Pontes foi morto pela Polícia Civil em 2017. Ele foi sucedido no comando do grupo por seu irmão Wellington da Silva Braga, o Ecko, que comandou uma agressiva política de expansão da quadrilha para a Baixada Fluminense.

Assim como o irmão, Ecko também foi morto pela Polícia Civil, em junho de 2021. Mas a quadrilha segue sendo uma dinastia familiar: Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, irmão de Carlinhos Três Pontes e Ecko, passou a chefiar o grupo.

Cotidiano