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1 mês

Delegado: Ação isolada de policiais matou homem na 'cracolândia'

Colaboração para o UOL

16/05/2022 09h33Atualizada em 16/05/2022 10h01

O delegado Roberto Monteiro, da Seccional do Centro de São Paulo, disse, em entrevista ao UOL News hoje, que a morte de um homem durante operação policial na 'cracolândia' teria sido fruto de uma ação isolada de policiais que não integram a força-tarefa.

"Quero deixar bem claro que essa ação foi uma ação isolada de três policiais civis, que não estavam e não pertenciam à operação Caronte", afirmou.

Raimundo Rodrigues Fonseca Júnior, de 32 anos, foi morto no último dia 12 em meio a uma incursão policial nos arredores da praça Princesa Isabel, onde a cracolândia estava instalada até a madrugada do dia 11, quando cerca de 500 dependentes químicos foram retirados do local.

Segundo o delegado, esses policiais afirmam que o homem foi morto após tentarem impedir a depredação de um ponto de ônibus e que uma porta de um estabelecimento comercial fosse arrombada. Um estilhaço de um disparo feito ao chão teria matado Raimundo.

"Essa vítima é figura conhecida no fluxo da cracolândia. Tem passagem por roubo a mão armada e tráfico. Isso não isenta a responsabilidade dos policiais, mas a polícia de São Paulo como um todo não tem compromisso com erro. Esses policiais vão responder na Justiça pelos seus atos", disse Monteiro.

O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Ato protesta contra violência na cracolândia

Movimentos sociais se reuniram na manhã de ontem no centro de São Paulo para protestar contra a violência policial na região conhecida como cracolândia, após a morte de um homem durante ação de agentes de segurança na última quinta-feira (12).

Cerca de cem pessoas se organizaram na praça Júlio Prestes, ao lado da estação da Luz, onde antes ficava a maior concentração de usuários de drogas. Sob gritos de "as vidas da craco importam", o protesto, que começou às 13h, saiu da Júlio Prestes e percorreu as ruas Helvetia e Dino Bueno, onde ficava o chamado "fluxo". No trajeto, a manifestação ouviu reclamações de moradores da região.

"Só empurrar não adianta, a cracolândia não acabou, só mudou de endereço. Mas alguém tem que fazer alguma coisa. Os usuários não são culpados, mas nós também não somos, não conseguimos dormir de madrugada", afirma a professora Rose Correa, moradora da Rua dos Gumões, que ela diz ter sido "ocupada" após a operação.

Crime organizado na cracolândia

Durante a entrevista ao UOL News, o delegado Roberto Monteiro afirmou que, após o uso de policiais infiltrados na cracolândia, a polícia descobriu que uma organização criminosa atua na região.

"Todos nós entendíamos que ali havia venda de dependentes traficantes para traficantes. Imaginávamos que fosse assim durante 30 anos da cracolândia, mas descobrimos que, na verdade, naquele local existia ação de crime organizado, traficantes muito bem colocados", disse.

Segundo Monteiro, a operação Caronte foi deflagrada há mais de dez meses e, nesse período, mais de 100 traficantes foram presos e seguem encarcerados por decisão da Justiça e MP-SP (Ministério Público de São Paulo).

"Esse trabalho também tem objetivo paralelo de dar tratamento aos dependentes químicos, social e físico, os encaminhando a um centro especializado da prefeitura de São Paulo e governo do Estado".

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