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Misoginia, ciúme e supermulher: o interrogatório de Jairinho em 14 frases

13.jun.2022 - O ex-vereador Dr. Jairinho em interrogatório no Tribunal de Justiça do RJ - Brunno Dantas/TJ-RJ
13.jun.2022 - O ex-vereador Dr. Jairinho em interrogatório no Tribunal de Justiça do RJ Imagem: Brunno Dantas/TJ-RJ

Lola Ferreira e Marcela Lemos

Do UOL e colaboração para o UOL, no Rio

14/06/2022 04h00

O ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho (sem partido), prestou depoimento ao longo de sete horas horas à 2ª Vara Criminal do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (13). Em seu primeiro interrogatório, Jairinho deu sua versão sobre a noite da morte do enteado, Henry Borel, e se defendeu da acusação de assassinato.

Jairinho se opôs a declarações dadas por Monique Medeiros, mãe do menino e acusada pelo mesmo crime, sobre o casal ter vivido um relacionamento abusivo. Além disso, ele se disse incapaz de agredir uma criança, afirmando que nunca sequer gritou com algum de seus três filhos.

Orientado por sua defesa, Jairinho respondeu a perguntas dos advogados dele e a algumas questões da juíza Elizabeth Machado Louro —defensores de Monique e a assistência de acusação não puderam perguntar.

O interrogatório é a última fase das audiências iniciais. Depois disso, haverá as alegações finais e, posteriormente, a juíza decide se o caso irá a júri popular ou não.

As frases a seguir marcaram a 1ª vez que Jairinho deu sua versão à Justiça

"Não tenho uma vírgula para falar da Monique, como mãe e como mulher."
Sobre relação com Monique Medeiros

"[A acusação de assassinato] é um problema técnico, médico."
Ao colocar em dúvida os laudos médicos e de necropsia

"Eu sou inocente, não fiz nada com o Henry. Eu não sou culpado disso que estão me acusando."
Sobre ter matado o enteado

"Ela em determinado dia pegou meu telefone e colocou a localização dela no meu telefone."
Sobre ciúme mútuo com Monique

"Quem é o ser humano que é capaz de fazer mal a uma criança? Existe? Existe, eu sou médico já vi acontecer diversas vezes, mas esse não é o meu perfil. Essa roupa não me cabe."
Sobre acusação de assassinato

"O atendimento médico foi feito de maneira equivocada."
Ao explicar lesões no corpo de Henry

"Como coloca a cabeça no travesseiro e consegue dormir?"
Sobre perito que atestou causa da morte e maus tratos em Henry

Eu tinha tanto ciúme da Monique quanto ela tinha meu (...) Eu pedi a ela: 'Por que você não contrata uma personal mulher?'
Sobre a relação com Monique Medeiros, mãe de Henry Borel

Ela [Monique] é uma supermulher, dava conta de tudo, comandava a casa, as empregadas. Ela era dona da casa, sim, era uma mulher autodeterminada."
Ao negar acusação de Monique de que a relação do casal fosse abusiva

Eu passo por um processo de inquisição, houve subversão da verdade, a gente viu muita negligência no laudo.
Sobre as acusações e a cobertura jornalística do caso

Eu peço socorro para os senhores. Tenho certeza que o perito sabe ler esse raio x. Pela vida dos meus filhos, ele sabe que o que cometeu aqui é crime
Em referência aos supostos erros cometidos pelo perito responsável pela necropsia do corpo do menino. A defesa de Jairo contesta o laudo

Eu preciso de Justiça, é um filme de terror o que está acontecendo na minha vida, estou perdendo a vontade de viver
Ao concluir o depoimento que ocorreu de 12h às 19h desta segunda-feira, com uma pausa para almoço

Outras duas frases também marcaram o interrogatório:

Desequilibrado e sem noção. Tá se babando todo garoto, para de babar."
Cláudio Dalledone, advogado de Jairinho, em briga com defensor de Monique

Nós mulheres estamos acostumadas com misoginia, isso é claramente misógino, não merece nem um comentário. Achei deselegante, mas tão pobre que não vou nem me manifestar. É mais uma manifestação misógina à qual estou mais do que acostumada."
Juíza Elizabeth Machado Louro sobre ter sido chamada de "Rainha de Copas"