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'Exaustos e sem banho, fomos para um hotel', diz moradora sem energia em SP

A confeiteira e advogada Luciana Posi da Silva, 47, afirma que perdeu quase todos os alimentos que estavam na geladeira após ter ficado cerca de 40 horas sem energia elétrica no bairro de Várzea de Baixo, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo.

O que aconteceu

Luciana fez compras poucas horas antes das fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo, na sexta-feira (3). Mas, após ter ficado quase dois dias sem energia elétrica, afirma que perdeu tudo que tinha. "A luz voltou hoje [domingo], às 11h. Olhei a geladeira desesperada, estava tudo estragado", afirma.

A confeiteira afirma que os aparelhos eletrônicos da casa em que vive com o marido e o filho também começaram a falhar com a interrupção no fornecimento de energia. "Os equipamentos eletrônicos começaram a falhar na hora de ligar. O prejuízo que isso acarreta para a gente é enorme, pessoas que usam aparelhos respiratórios no prédio tiverem que sair", diz ela que faz parte da direção do condomínio que vive.

Ela diz ainda que deixou o filho com a mãe, de 76 anos, que tinha energia elétrica. "Deixei meu filho na minha mãe para ele ficar melhor. Consegui carregar meu celular na academia", diz.

Com a falta de luz, Luciana conta que o marido sugeriu que passassem a noite de sábado para domingo em um hotel também localizado na zona sul, próximo da casa em que vivem. "Lá consegui comer alguma coisa e tomar um banho."

Tirei um saco de 10 litros de lixo da geladeira de alimentos estragados. Na sexta-feira tinha ido ao mercado e gastei R$ 300. Além disso, perdi tudo o que já está gelando. Abri a geladeira e senti o cheiro ruim.
Luciana Posi da Silva, moradora da zona sul de São Paulo

Luciana afirma que no prédio em que vive os moradores fizeram uma "força-tarefa" para acionarem um dos técnicos da Enel. "Todos nós fizemos o acionamento, mas não adiantou. Depois, os moradores foram para as ruas atrás dos funcionários da Enel. Nossa indignação foi porque eles vieram aqui, consertaram a energia de duas torres vizinhas e não arrumaram a nossa."

Temporal causou mortes e quedas de árvore

A Enel diz ter restabelecido 66% da distribuição de energia em São Paulo. Segundo a empresa, 2,1 milhões de pessoas foram afetadas pela falta de luz causada pelo temporal que atingiu o estado. Desse total, 1,4 milhão teve a distribuição normalizada.

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A Sabesp afirma que a capital e mais seis cidades continuam com abastecimento de água afetado. Os bairros da capital ainda sem água são Itaquera, São Mateus, Vila Mariana, Vila Clara e Capão Redondo. As outras cidades são Cotia, Osasco, Barueri, Taboão da Serra, Biritiba Mirim e Suzano.

Luz deve voltar para todo mundo só terça-feira (7). Essa é a previsão divulgada pela empresa para a normalização total do serviço. "Devido à complexidade do reparo e a necessidade de reconstrução de trechos da rede, com substituição de cabos, postes e transformadores, alguns casos podem levar mais tempo", diz a Enel.

O temporal com fortes ventos provocou a morte de sete pessoas no estado de São Paulo. As rajadas de vento superiores a 100 km/h durante o temporal de sexta-feira (3) foram as maiores já registradas pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) da Prefeitura de São Paulo desde 1995, quando os dados começaram a ser computados.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) lamentou, por meio das redes sociais, as mortes causadas pelo temporal. "Todo o Estado de São Paulo sofreu com um evento climático extremo, marcado por chuva de grande intensidade e fortes rajadas de vento, sendo a região metropolitana de Campinas a mais atingida", escreveu.

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