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Bandeira de Mello diz que desconhecia problemas no Ninho do Urubu

Luana Massuella

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/11/2020 15h52

Bandeira de Mello, candidato à Prefeitura do Rio pela Rede, falou que "há muita desinformação" sobre incêndio no alojamento do Ninho do Urubu que deixou dez mortos e três feridos em fevereiro do ano passado. Durante sabatina do UOL em parceria com a Folha de S.Paulo, o ex-presidente do Flamengo disse que desconhecia problemas na rede elétrica do Ninho do Urubu.

"Eu não era mais presidente do clube, isso aconteceu em 2019, e eu fui presidente até 2018", disse. Bandeira de Mello deixou a presidência do Flamengo pouco mais de um mês antes do incêndio. Durante sua gestão, o alojamento não tinha alvará de funcionamento, segundo informou a prefeitura ao UOL, dias depois do incêndio. "Não vejo sentido que a mim seja atribuída qualquer culpa, porque tudo que eu fiz para esses meninos foi altamente positivo", defendeu.

Questionado sobre o motivo de o local continuar funcionando, mesmo após e-mails revelarem que o clube tinha ciência de problemas elétricos no alojamento, Bandeira de Mello alega que essas informações não chegaram a ele. "Essa interdição, na verdade, nunca aconteceu de fato. Nunca chegou a mim, nunca chegou à atual administração do Flamengo e isso é muito fácil de ser provado", disse ele, durante a sabatina conduzida por Chico Alves, colunista do UOL, e Catia Seabra, repórter da Folha de S.Paulo

"Exatamente esses e-mails é que provam que não chegaram a mim, nem à alta administração do clube. Nos e-mails, diz lá exatamente a quem estavam destinados. Ficou restrito à administração do centro de treinamento. Eu só fiquei sabendo desses e-mails, desses fatos, só agora recentemente", afirmou.

Segundo Bandeira de Mello, ao deixar o clube, em dezembro de 2018, os meninos ocupavam instalações definitivas, e não contêineres.

Críticas a Paes e Crivella

O candidato ainda negou a possibilidade de desistir da disputa pela Prefeitura do Rio. Na semana passada, circularam informações de que ele abriria mão da candidatura em favor de Martha Rocha (PDT).

"Não sei o que aconteceu. Não houve nenhuma conversa nesse sentido. [...] Nunca, nem ela [Martha Rocha], nem ninguém do PDT, me procurou para tratar disso. Então já foi desmentido, é fake news, não sei de onde veio, e bola pra frente."

Bandeira de Mello fez críticas às gestões de Eduardo Paes (DEM) e Crivella (Republicanos).

"Nós estamos vivendo essa decadência exatamente por conta de quem administrou o Rio nos últimos anos. A gente está vendo uma administração que está querendo voltar, e outra que está querendo ficar. E nenhuma das duas foi bem-sucedida. A administração do Crivella, com todo o respeito que eu possa ter a ele, foi um fracasso. E a administração do prefeito Eduardo Paes foi a que propiciou esse fracasso", falou.

Relação com governo Jair Bolsonaro

Questionado sobre o relacionamento que terá, se eleito, com o governo federal, o candidato da Rede disse que vai ter uma "relação institucional adequada".

"Tanto no governo estadual, como no governo federal, a gente não pode fazer nenhum tipo de restrição que prejudique os legítimos interesses da população carioca. Então, vou ter uma relação institucional adequada, com o governo estadual, com o governo federal, naquilo que for necessário", falou.

"Isso não significa que eu vou ser amigo do presidente, que eu vou ser amigo do governador. Nós temos que trabalhar em função dos interesses da população", completou.