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Analistas cobram transparência de Covas sobre situação de pandemia

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/11/2020 19h08Atualizada em 29/11/2020 22h46

Com a vitória na eleição municipal de São Paulo, a pressão sobre Bruno Covas (PSDB) será grande a partir desta segunda-feira (30) quando deverão ser anunciadas novas medidas para conter o crescimento de casos na segunda onda da pandemia do novo coronavírus.

Com 100% das urnas apuradas, Bruno Covas venceu com 59,4% dos votos válidos contra 40,6% de Bruno Covas (PSOL).

O assunto foi discutido na live sobre a apuração dos votos do segundo turno das eleições municipais e o pedido dos colunistas do UOL a Covas é por transparência.

Josias de Souza entende que o prefeito imprimiu um jogo de "esconde-esconde" na reta final do segundo turno da campanha contra Guilherme Boulos (PSOL) e que o governo estadual deverá impor novas medidas já nesta semana.

"Isso vai ter um quê de, não diria estelionato eleitoral, porque a expressão é muito forte, mas o prefeito Bruno Covas passou a campanha inteira sobretudo esses últimos dias dizendo que tava tudo normal, dizendo que não havia descontrole em relação à pandemia na cidade de São Paulo, e os hospitais estão aí a indicar que aumentaram as internações. Então a situação evoluiu para pior e o discurso ficou meio dissonante nesses últimos dias de campanha", afirmou o colunista.

Já Reinaldo Azevedo entende que a pressão será maior sobre o governador João Doria (PSDB), mas que Covas também será cobrado.

"Havia um negacionismo sobre não querer tomar providência às vésperas da eleição, porque muita gente não quer fechar a cidade. Claro que não vai ter fechamento de novo, mas algumas medidas restritivas serão feitas. A segunda-feira para o PSDB vai ter muita comemoração, mas também tem o peso da vitória, a cidade não pode continuar como está. Os hospitais particulares tem uma taxa de ocupação de 85% das UTIs, o risco de você ter um pico da doença é muito grande", analisou.

Carla Araújo, também colunista do UOL, afirmou que o eleitor deve ficar atento à forma que Covas irá agir para cobrar mais transparência.

"Acho que além do Bruno Covas ter que colocar de uma forma muito transparente essas medidas de combate a essa segunda onda do coronavírus, explicar porque não tomou durante a campanha eventualmente se deixou de lado alguma coisa ou não. Se eventualmente o prefeito reeleito mostrar que ele estava segurando alguma coisa por conta do coronavírus, o eleitor dele já deve abrir o olho para cobrar mais transparência, porque acho que pega o mal um candidato eventualmente mentir, ou omitir, a realidade que a capital vive por conta da pandemia", finalizou.

Ainda durante a live do UOL no Youtube, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) também falou sobre o fato de ter sido infectada pelo novo coronavírus poucos dias antes de Boulos também testar positivo. Sâmia afirmou que tanto ela, quanto o candidato derrotado seguiram à risca as medidas de isolamento.

"Não tem nada que prove que o Boulos tenha pegado de mim ou eu dele. Tivemos contatos com milhares de pessoas durante a campanha, desde o início com todos os cuidados, com álcool em gel, máscara. Como os dados indicam, estamos numa nova etapa de contágio, e a gente deve ter pego em algumas dessas atividades de rua. Era um risco. Mas o mais importante foi a responsabilidade dele que, assim que eu anunciei que estava contaminada, ele suspendeu as agendas de rua, sabendo que a gente teve contato, ainda que não próximos. E assim que soube do resultado ficou em isolamento total", afirmou a deputada, que aproveitou para criticar a atuação de Bolsonaro.

"Essa postura responsável é bastante importante não só para uma liderança política, mas para qualquer cidadão brasileiro, e difere muito da postura que o Jair Bolsonaro teve quando foi contaminado, de ignorar completamente o seu papel. A campanha soube lidar bem, conduzir de forma responsável, com a minha contaminação e principalmente a do Guilherme."