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Hino na escola? Como é a prática em outros países

Rivaldo Gomes/Folhapress
Imagem: Rivaldo Gomes/Folhapress

Pedro Graminha

Do UOL, em São Paulo

28/02/2019 04h01

Esta semana, a decisão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, de pedir para que diretores de escolas lessem uma carta com slogan eleitoral de Bolsonaro e filmassem alunos cantando o hino nacional gerou polêmica, e a pasta acabou recuando das duas medidas.

Houve quem se incomodasse com a presença da frase de campanha nas escolas e quem reclamasse da gravação de menores de idade sem autorização dos pais.

A execução do hino nacional também não é unânime. Mas é obrigatória uma vez por semana em escolas de ensino fundamental, conforme a Lei 12.031 de 2009, assinada por Fernand Haddad, então Ministro da Educação. 

Na prática, no entanto, nem todas as escolas seguem a determinação legal -- um cenário parecido com o de outros países do mundo, incluindo a terra natal do ministro da Educação. Veja alguns exemplos:

Hino nacional nas escolas do mundo

  • Colômbia

    O país de Ricardo Velez Rodrigues determina a execução dos hinos nacionais nas escolas. Uma lei de 1991 obriga reitores e diretores a celebrar, uma vez por mês, durante o ano letivo, o hasteamento da bandeira nacional seguido a execução do hino colombiano. Na prática, o patriotismo nas escolas não é tão exigente. Luis Gabriel Mesa, professor universitário colombiano, conta que seus sobrinhos, em idade escolar, cantam o hino apenas em ocasiões especiais na escola.

  • Coreia do Norte

    Um dos países mais fechados do mundo, a Coreia do Norte tem dois hinos nacionais. O oficial, criado logo após a Guerra da Coreia, que dividiu Norte e Sul, é pouco conhecido pela população. O mais popular é a "Canção do General Kim Il Sung", em homagem ao líder da Coreia do Norte à época da fundação do país. O hino conta a história da família real -- que até hoje governa o país, na figura do ditador Kim Jong-un -- e é usado nas escolas para ensinar sobre a história do país e também em eventos públicos. No regime comunista, fotos da dinastia Kim estão em todas as escolas, e a execução do hino é obrigatória e frequente.

  • EUA

    Diferente do que diz o imaginário popular no Brasil, os Estados Unidos não são tão rigorosos com a execução do hino nacional nas escolas. Tatiane Pronin, brasileira que mora em Nova York, conta que o filho de 7 anos que estuda em uma escola pública de seu bairro nunca teve que cantar o hino local. "Meu filho nunca cantou o hino dos EUA na vida dele. Nem sabe a letra. Na escola não tem isso não. Ele sabe o hino do Brasil, mas por que ama futebol", relata.

  • México

    Todas as escolas mexicanas, públicas ou particulares, devem possuir uma bandeira nacional em suas instalações. Elas são usadas em "cerimônias de atos cívicos e afirmar entre os alunos o culto e o respeito ao que ela deve professar", conforme a lei. Além disso, todos os anos, alunos da educação básica participam de um concurso que premia as melhores interpretações do hino. Daniel González, estudante mexicano, explica que as escolas, até o ensino médio, cantam o hino nacional todas as semanas, nas segundas-feiras. Nas universidades também são feitas cerimônias de honra à bandeira, mas os alunos não são obrigados a participar.

  • Hong Kong

    A conturbada relação entre a China e Hong Kong ganhou novo episódio, e o hino foi protagonista. Antes uma colônia inglesa, o pequeno território desenvolveu-se de maneira independente até ser devolvido aos chineses. Nos últimos tempos, o governo chinês tem intensificado o sufocamento às liberdades da ilha. Nesse contexto, o governo de Pequim passou a exigir que o hino nacional chinês -- chamado de 'A Marcha dos Voluntários' -- seja tocado e ensinado em todas as escolas de Hong Kong, inclusive escolas estrangeiras. O objetivo da medida é inspirar nos jovens um espiríto pátriótico pela pátria chinesa. O hino da China já foi vaiado durante eventos esportivos na ilha. Opositores classificam a medida como 'autoritária', e a China classifica como crime desrespeitar o hino chinês, passível de perda de direitos políticos e prisão de até três anos.

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