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Dilma foi alvo de espionagem dos EUA, diz TV

Do UOL, em São Paulo

02/09/2013 00h44

Reportagem exibida pelo "Fantástico", da TV Globo, na noite deste domingo (1º), afirma que a presidente Dilma Rousseff e seus assessores foram alvos de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

O jornalista Glenn Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, apresentou um documento indicando que era objetivo da NSA "entender melhor" a comunicação da presidente com sua equipe.

O parceiro de Greenwald, o brasileiro David Miranda, foi retido por 9 horas no aeroporto de Heathrow, em Londres, em 18 de agosto e teve documentos confiscados por serem considerados danosos à segurança do Reino Unido.

As informações chegaram a Greenwald em junho por meio de Edward Snowden, o ex-agente norte-americano que revelou como os EUA monitoram informações de milhões de pessoas, dentro e fora do país.

O documento que cita espionagem à presidente do Brasil, com data de junho de 2012, seria parte de uma apresentação interna realizada na NSA. Greenwald foi o primeiro jornalista a publicar as denúncias do ex-agente, no jornal britânico “The Guardian”.

Segundo o "Fantástico", Snowden foi contatado durante a produção da reportagem, mas não pode comentar as informações divulgadas por Greenwald, por exigência do governo da Rússia, onde está exilado.

De acordo com o jornalista, é possível afirmar que Dilma foi monitorada, e não apenas que houve um projeto de espionagem, porque há indicações no documento de que não estão planejando, mas, sim, "festejando o sucesso da espionagem".

Números de telefone, e-mails e IPs (identificação individual de um computador) teriam sido monitorados. Um gráfico mostra toda a rede de comunicações da presidente com seus assessores.

De acordo com a reportagem, porém, o documento não tem exemplos de mensagens ou ligações entre Dilma e seus ministros. 

O material apresentado por Greenwald cita o método de espionagem aplicado às comunicações da presidente como "uma filtragem simples e eficiente que permite obter dados que não são disponíveis de outra forma. E que pode ser repetido."

Além disso, afirma que a NSA teve sucesso contra alvos de alto escalão: Brasil e México (cujo presidente, Enrique Peña Nieto, também aparece na reportagem como espionado pelos EUA).

Ao tomar conhecimento da denúncia pela TV Globo, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, classificou a espionagem como um fato “gravíssimo” e afirmou que, se confirmada, terá sido uma “clara violação à soberania” brasileira.

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