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EUA, França e Reino Unido aceitam discutir na ONU proposta russa para a Síria

Do UOL, em São Paulo

10/09/2013 12h14

Os chefes de Estado dos EUA, Reino Unido e França concordaram em discutir na ONU a proposta russa para a Síria entregar ao controle internacional o arsenal químico do país árabe. O texto da resolução deve ser preparado na noite desta terça-feira (10).

Após conversar com o presidente americano, Barack Obama, e com o chanceler francês, Laurent Fabius, o premiê britânico, David Cameron, afirmou que os três países querem testar se a proposta russa é séria ou se é apenas uma manobra para adiar uma possível intervenção militar na Síria. 

Nota da Casa Branca informou que os três vão "trabalhar juntos" e em "consultas com a Rússia e a China" com o objetivo de "explorar seriamente a viabilidade da proposta russa". 

O governo sírio também aceitou a proposta russa, formulada pelo chanceler russo, Sergei Lavrov, depois que o secretário de Estado americano, John Kerry, ter dito que a Síria evitaria um ataque caso entregasse seu arsenal de armas químicas em uma semana. 

"Tivemos uma frutífera rodada de negociações com o ministro de Relações Internacionais [chanceler russo] Sergei Lavrov ontem, e ele propôs uma iniciativa relacionada às armas químicas. E à noite nós concordamos com a iniciativa", afirmou o chanceler da Síria, Walid al-Moualem, de acordo com a Interfax.

Segundo ele, a Síria concordou porque a iniciativa iria "retirar os fundamentos para uma agressão norte-americana", segundo a agência.

Rússia faz plano com Síria

A Rússia anunciou nesta terça-feira (10) que já está trabalhando em conjunto com a Síria em um em um "plano concreto, claro e eficaz" para deixar sob controle internacional as armas químicas do regime Assad. Segundo Lavror, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e a Organização para a Proibição de Armas Químicas estão sendo consultados.

"Estamos preparando as propostas concretas em forma de um plano, que será apresentado a todas as partes interessadas, incluído, claro, os Estados Unidos", afirmou o chefe da diplomacia russa, que disse manter contato com o secretário de Estado americano, John Kerry.

O ministro russo frisou que a iniciativa de pôr o arsenal químico sírio sob controle internacional "não elimina a necessidade de investigar todas as denúncias de emprego de armas químicas na Síria".

Segundo Lavrov, a proposta de colocar as armas químicas sob controle internacional surgiu "dos contatos que mantivemos com os colegas americanos e da declaração de John Kerry, que apontou a possibilidade de se evitar os ataques (à Síria) se for resolvido este problema (das armas químicas)".

Obama pode suspender ataque

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou na segunda-feira (9) que poderia suspender um possível ataque militar na Síria se o regime de Bashar Assad aceitar a proposta russa para que seu arsenal de armas químicas fique sob controle da comunidade internacional.

O chefe da Casa Branca afirmou que a proposta russa é um passo "positivo" para evitar uma intervenção militar contra Damasco, mas enfatizou que falta ver se a iniciativa é séria e não uma tática para ganhar tempo.

Obama anunciou recentemente que tinha tomado a decisão de lançar um ataque "limitado" contra alvos militares do regime sírio em represália por um suposto ataque com armas químicas contra a população civil, que Washington considera provado.

Oposição síria é contra

A oposição síria chamou de "manobra política" a proposta da Rússia de colocar sob controle internacional o arsenal químico de Damasco para evitar ataques ocidentais, e exigiu mais uma vez uma "resposta" contra o regime de Bashar Assad.

"É parte dos adiamentos inúteis e que só provocarão mais mortes e destruição para o povo sírio", afirma um comunicado da Coalizão da Oposição Síria.

Segundo a Coalizão, "a violação da lei internacional requer uma resposta internacional adequada", o que pode ser interpretado como um pedido indireto ao governo de Obama para que não abandone o projeto de ataque contra o regime sírio.

"Os autores dos crimes de guerra não podem ser desculpados e os crimes contra a humanidade não podem ser apagados com concessões políticas ou entregando o instrumento com o qual os crimes foram cometidos", completa o comunicado da oposição síria a respeito das armas químicas.

A crise na Síria em fotos
A crise na Síria em fotos
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China e Irã apoiam Rússia

China e Irã manifestaram apoio à proposta russa nesta terça-feira (10).

"Saudamos e damos nosso apoio à proposta russa", declarou Hong Lei, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores

"Se a proposta representar alívio da tensão na Síria e seguir no sentido de um solução política da crise síria, mantendo a paz e a estabilidade na Síria e na região, a comunidade internacional deve dar importância", completou

"O Irã recebe favoravelmente a iniciativa da Rússia que pretende impedir qualquer ação militar contra a Síria", afirmou a porta-voz da diplomacia iraniana, Marzieh Afgham. (Com Reuters, AFP e Efe)

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