Obama homenageia policiais mortos e diz que nenhuma instituição é imune ao racismo

Do UOL, em São Paulo

  • AFP

O presidente dos EUA, Barack Obama, homenageou nesta terça-feira (12) os cinco policiais mortos durante um protesto contra violência policial em Dallas na semana passada, e insistiu em afirmar que o país não está tão dividido quanto parece por raça e política. Obama disse ainda que nenhuma instituição é imune ao racismo.

"Sabemos que a esmagadora maioria da polícia é merecedora do nosso respeito e não do nosso desprezo", ressaltou o presidente. "Mas sabemos que o preconceito continua. Se você é negro ou branco, todos temos visto a intolerância em nossas próprias vidas em algum momento. Se formos honestos, também ouviremos preconceito em nossas próprias mentes. Nenhum de nós é totalmente inocente. Nenhuma instituição é inteiramente imune. E isso inclui a nossa polícia."

Para Obama, os que usam a retórica para prejudicar a polícia fazem um desserviço para a própria causa da Justiça que eles mesmos pretendem promover. "Também sabemos que séculos de discriminação racial e escravidão não desaparecem simplesmente com o fim da segregação racial. Eles não pararam quando o doutor [Martin Luther] King fez o seu discurso. As relações raciais melhoraram dramaticamente ao longo da minha vida. Aqueles que negam isto estão desonrando as lutas que nos ajudaram a alcançar este progresso."

Obama destacou ainda os casos de violência contra negros na abordagem policial, e defendeu os protestos pacíficos realizados pelo país. "Estudo após estudo nos mostra que brancos e negros enfrentam o Sistema de Justiça criminal de forma diferente. Mais de 50 anos após a aprovação da lei de direitos civis, não podemos simplesmente ignorar ou considerar os envolvidos em protestos pacíficos como causadores de problemas ou paranoicos."

"Apesar do fato de que a conduta da polícia foi tema do protesto, apesar do fato de que deve ter havido sinais ou slogans ou cânticos com os quais discordavam profundamente, estes homens e este departamento fizeram seus trabalhos como profissionais."

Profundas falhas da democracia expostas

Ao mencionar os acontecimentos da semana passada, Obama disse reconhecer que o país está sofrendo com tudo o que testemunhou. O presidente mencionou a morte de dois cidadãos negros em Minnesota e na Louisiana, os protestos em todo o país e o ataque contra os policiais brancos em Dallas, no Texas. "Estou aqui para insistir que nós não estamos tão divididos como dizemos. Sei disso porque conheço a América. Sei que faremos isso pelo que já vivi na minha própria vida, e sei disso porque vi tudo isso em Dallas", disse o presidente em seu discurso no memorial realizado para as vítimas.

"Tudo isso nos deixou feridos e machucados. É como se as mais profundas falhas da nossa democracia tivessem sido expostas e até mesmo ampliadas. Confrontados com esta violência, nos perguntamos se as divisões de raça da América podem nunca ser quebradas", afirmou. "É difícil não pensar às vezes que as coisas podem piorar"

Obama estava acompanhado da primeira-dama, Michelle, do vice-presidente Joe Biden e do ex-presidente George W. Bush, em uma de suas raras aparições públicas desde que deixou o cargo. O prefeito de Dallas, Mike Rawlings, abriu a cerimônia, dizendo que "a alma de cidade foi dilacerada".

Bush, antecessor de Obama, também fez discurso no salão lotado, onde cinco cadeiras estavam vazias e nas quais foram colocadas bandeiras norte-americanas, em memória dos policiais mortos. "Às vezes parece que as forças que nos deixam separados são mais fortes do que as forças que nos deixam juntos", disse Bush. "Nós não queremos a unidade da dor nem queremos a unidade do medo. Queremos a unidade da esperança e do carinho."

Na última sexta-feira, um protesto em Dallas contra a violência policial terminou em tragédia quando um homem, identificado como Micah Xavier Johnson, veterano de guerra de 25 anos, matou cinco oficiais por vingança pela brutalidade empregada pelos oficiais brancos contra jovens negros.

Na semana passada, dois casos chocaram o país. Na Louisiana, Alton Sterling foi morto durante uma abordagem feita por dois policiais brancos. Em Minnesota, Philando Castile foi morto também em uma abordagem policial, mas sua namorada transmitiu ao vivo no Facebook os últimos instantes de vida de seu namorado e a violência dos policiais envolvidos na ocorrência. No carro, também estava a filha dela, de apenas quatro anos.

Os policiais mortos, Brent Thompson, Patrick Zamarripa, Michael Krol, Lorne Ahrens e Michael Smith, foram representados por cinco cadeiras vazias no auditório, cada uma adornada com uma bandeira norte-americana dobrada e um quepe de policial.

 

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