Militares tentam tomar poder e população vai às ruas na Turquia

Do UOL, em São Paulo

Militares tomaram as ruas de Ancara e Istambul na noite de sexta-feira (12) e anunciaram terem tomado o poder na Turquia. Os militares chegaram a decretar toque de recolher e lei marcial, suspendendo liberdades fundamentais, vetando manifestações, censurando opiniões e restringindo o direito de ir e vir.   

Ignorando o toque de recolher, multidões contrárias e favoráveis ao golpe encheram as ruas de Ancara em Istambul, que registraram confrontos em várias regiões.

Além disso, soldados e policiais - estes últimos fiéis a Erdogan - trocaram tiros. Na capital, 13 militares teriam sido detidos em uma tentativa de invasão ao palácio presidencial. Do outro lado do confronto, segundo a "CNN Turk", 17 policiais morreram nos tiroteios.   

Os veículos de comunicação turcos também afirmaram que um caça-bombardeiro F-16 derrubou um helicóptero dos rebeldes.

Durante a madrugada, explosões foram ouvidas nos arredores do Parlamento turco, em Ancara. Além de tiroteios em diferentes partes de Istambul.

Como começou?

Por volta das 22h (horário local), tiros foram ouvidos em Ancara, capital do país, onde caças faziam voos rasantes e helicópteros militares tomavam os céus. Em seguida, foram fechadas as duas pontes sobre o estreito de Bósforo, em Istambul, no sentido Ásia-Europa - no caminho inverso, o tráfego seguiu fluindo.   

Logo depois foi bloqueado o acesso às redes sociais, e militares invadiram a sede da TV estatal (agora já libertada). Além disso, tanques se dirigiram ao Aeroporto Internacional de Ataturk, em Istambul, o mais movimentado do país.   

A sede do partido AKP, fundado por Erdogan e liderado por Yildirim, também foi invadida pelos militares. "Os autores [do golpe] pagarão o preço mais alto", garantiu o premier. Nos últimos meses, o presidente Erdogan vinha sendo acusado de promover uma deriva autoritária no país, atingindo até alguns de seus antigos aliados.   

País convive com grupos separatistas e terrorismo

Além disso, o país convive com a ameaça do terrorismo do Estado Islâmico (EI) e de grupos separatistas curdos. O partido AKP, fundado por Erdogan, é acusado de interferir na justiça para abafar casos de corrupção e de censurar a imprensa. Para isso, fechou jornais opositores e afastou juízes tidos como "adversários".   

Erdogan foi primeiro-ministro até 2014, mas ao fim de seu mandato se elegeu presidente, mantendo o poder em suas mãos, apesar de a Turquia ser parlamentarista. Nos últimos meses, vem tentando emplacar uma mudança para o regime presidencialista, o que lhe daria ainda mais força.   

Arte UOL


"Ainda sou presidente da Turquia e comandante-em-chefe. Resistam ao golpe de Estado nas ruas e nos aeroportos", disse o mandatário, por meio de um vídeo transmitido via smartphone, após o anúncio do golpe. Durante toda a revolta seu paradeiro era desconhecido, mas logo após o anúncio da vitória governista ele aterrissou em Istambul.   

Apesar da derrota dos golpistas, a crise na Turquia pode ter efeitos incalculáveis. O país faz fronteira com a Síria e integra a coalizão internacional contra o Estado Islâmico. Além disso, faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principal aliança militar do planeta.   

Na política interna, Erdogan pode ganhar o argumento ideal para seguir seu processo de concentração de poder e de repressão a grupos adversários. 

(Com agências internacionais)

Tanques e caças são usados em tentativa de golpe na Turquia

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