Trump se nega a apoiar opositores republicanos e agrava divisões internas no partido

Do UOL, em São Paulo

  • Timothy A. Clary/ AFP

O candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, se recusou a apoiar o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Paul Ryan, em sua campanha de reeleição no Congresso. Ryan é o republicano com cargo mais alto atualmente, e endossou a candidatura de Trump depois de meses de resistência.

Segundo o jornal norte-americano "Washington Post", Trump disse em entrevista que ainda não estava certo sobre o apoio a Ryan. O presidente da Câmara hesitou em apoiar Trump até junho, mas foi um dos que discursou em defesa da nomeação do magnata na convenção republicana.

A resposta de Trump lembra a mesma dada por Ryan no início do ano, quando foi questionado sobre o apoio ao então pré-candidato republicano. "Eu ainda não estou pronto para isso", disse Ryan na ocasião.

A recusa de Trump em apoiar Ryan dá sinais de que o Partido Republicano continua dividido duas semanas depois da convenção nacional em Cleveland, encenada para mostrar a unidade dos republicanos.

A primária no Estado de Wisconsin, de Ryan, será realizada na terça-feira. Trump elogiou o oponente de Ryan, Paul Nehlen, por realizar uma "campanha muito boa". Trump disse que Ryan buscou o seu apoio. "Eu gosto de Ryan, mas estes são tempos terríveis para o nosso país", disse Trump. "Precisamos de uma liderança forte, e ainda não estou certo disso", afirmou o candidato republicano, referindo-se ao presidente da Câmara.

Ryan e Trump discordam em várias questões, como a proposta de proibição temporária de entrada de muçulmanos no país.

Discordâncias com McCain 

Trump também disse que não apoiará a candidatura do senador John McCain no Arizona. McCain criticou Trump abertamente por atacar publicamente a família de um capitão muçulmano do Exército americano morto em combate no Iraque em 2004, quando tentava salvar seus homens. Khan afirmou que Trump nunca precisou fazer um sacrifício, como perder um filho na guerra. Em resposta, o magnata disse que trabalhou "muito duro" e criou "milhares de empregos" nos EUA.

As palavras dirigidas por Trump aos pais de Humayun Khan provocaram revolta na opinião pública, inclusive nas fileiras republicanas e entre os veteranos de guerra, que classificaram seu comportamento de "repugnante" e ofensivo.

"Eu queria dizer ao senhor e à senhora Khan: obrigado por terem imigrado aos Estados Unidos. Somos um país melhor graças a vocês. E vocês têm razão, seu filho era o que os Estados Unidos têm de melhor e a memória de seu sacrifício fará de nós uma nação melhor, ele nunca será esquecido", ressaltou o senador McCain, também herói da guerra do Vietnã, onde foi prisioneiro e de quem Trump também fez piada.

"McCain não é um herói de guerra. É porque foi capturado que é um herói de guerra. Eu quero as pessoas que não foram capturadas", disse Trump no passado sobre McCain. Ao declarar que não vai apoiar McCain, Trump afirmou que o senador não faz um bom trabalho pelos veteranos do país.

McCain, ex-candidato presidencial que se recusou a participar da convenção republicana deste ano, disputa as primárias no Arizona com outros dois rivais.

Polêmicas com veteranos de guerra

Em um comício em Ashburn, no Estado da Virgínia, Trump exibiu nesta terça-feira a condecoração militar dada por um veterano de guerra como demonstração de apoio incondicional. "Sempre quis ter um Coração Púrpura. Foi muito mais fácil que o normal", brincou o magnata, que nunca serviu as Forças Armadas e evitou ir à Guerra do Vietnã em cinco ocasiões, quatro por prorrogação de estudos e a última por um problema ósseo no pé.

Em sua campanha nas primárias republicanas, Trump realizou atos em solidariedade a veteranos de guerra e de arrecadação, o que contribuiu para as críticas vindas da cúpula do Partido Republicano, rivais democratas e até associações de veteranos e famílias de militares.

O presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, questionou o apoio dos líderes republicanos ao magnata, já que alguns consideraram muitos de seus comentários como "inaceitáveis".

"Se rejeitam repetidamente o que ele [Trump] diz, por que ainda o apoiam?", questionou Obama, em referência aos líderes republicanos no Congresso, Paul Ryan e Mitch McConnell. "É preciso chegar a um ponto em que digam chega", afirmou o presidente.

Na segunda-feira, em discurso em Atlanta, Obama afirmou que as famílias dos soldados mortos em conflitos "representam o melhor" dos EUA, referindo-se às críticas de Trump à família Khan.

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