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Onde Trump e Hillary têm de vencer para chegar à presidência dos EUA?

John Locher/ AP
Imagem: John Locher/ AP

Do UOL, em São Paulo

07/11/2016 10h00

As pesquisas nacionais mais recentes mostram uma disputa acirrada entre Hillary Clinton e Donald Trump pela presidência dos Estados Unidos, com os candidatos próximos da marca de 45% de intenções de voto e uma ligeira vantagem para a democrata. Mas como a eleição americana é decidida no Colégio Eleitoral, as pesquisas em cada Estado acabam sendo o maior termômetro para saber quem tem mais chances de ganhar.

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O Colégio Eleitoral é composto por 538 integrantes, divididos entre os 50 Estados e o Distrito de Colúmbia, da capital Washington. A representação é proporcional: a Califórnia, Estado mais populoso do país, tem 55 membros no colégio, enquanto os Estados menos populosos têm apenas três. Esses integrantes votam de acordo com o resultado das urnas em seu Estado.

O vencedor será aquele que receber pelo menos 270 votos (50% + 1) no Colégio Eleitoral.

Em quase todo o país o candidato vencedor também fica com todos os votos do Estado no Colégio Eleitoral. Há duas exceções: Maine e Nebraska, que distribuem dois votos para o vencedor do Estado e os outros para quem venceu nos distritos regionais (dois no Maine e três em Nebraska).

Colégio Eleitoral elege presidente dos EUA; entenda o processo

Como o sistema é determinado pela vitória nos Estados, e não pelos votos gerais - uma vitória apertada ou folgada na Califórnia, por exemplo, contabiliza os mesmos 55 votos no Colégio Eleitoral -, existe a possibilidade de o presidente ser eleito recebendo menos votos nas urnas, desde que tenha vantagem no colégio.

Foi o que aconteceu em 2000, na primeira eleição do republicano George W. Bush, contra Al Gore.

Vários Estados já têm estabelecida sua preferência por democratas e republicanos e formam as bases sólidas de Trump e Hillary. Esses votos já estão praticamente garantidos para cada um, segundo os sites especializados "FiveThirtyEight" e "RealClearPolitics" e a CNN:

Base sólida de Hillary: 183 votos - 13 Estados (Califórnia, Connecticut, Delaware, Havaí, Illinois, Maryland, Massachussets, Nova Jersey, Nova York, Oregon, Rhode Island, Vermont e Washington) + Washington DC + 1º Distrito do Maine

Base sólida de Trump: 157 votos - 20 Estados (Alabama, Alasca, Arkansas, Carolina do Sul, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Idaho, Indiana, Kansas, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Missouri, Montana, Nebraska, Oklahoma, Tennessee, Texas, Virgínia Ocidental e Wyoming) + 1º e 3º Distrito do Nebraska

O caminho de Hillary

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Primeiramente, Hillary precisa garantir os votos dos Estados onde, ao longo da campanha, liderou a maior parte das pesquisas e cujo eleitorado tende para os democratas. É o caso de Minnesota (10 votos), Wisconsin (10) e Michigan (16), na região dos Grandes Lagos; Novo México (5) e Colorado (9), no Oeste; Maine (2), Pensilvânia (20) e Virgínia (13), na região Nordeste.

Se confirmar a vantagem em todos esses Estados, Hillary precisaria de mais dois votos no colégio eleitoral para ganhar a presidência. Por isso, a democrata necessita de pelo menos uma vitória nos swing states, os Estados indecisos, para suceder Barack Obama.

Segundo o site de estatísticas "FiveThirtyEight", sua maior chance nesses Estados é New Hampshire, onde ganharia mais quatro votos e confirmaria a vitória. Outras alternativas plausíveis são Nevada (6 votos), Carolina do Norte (15) e Flórida (29), mas as pesquisas nesses três Estados mostram um cenário muito indefinido, com a liderança alternando entre Hillary e Trump.

Possível cenário de vitória de Hillary: 272 votos - base sólida + 9 Estados (Colorado, Maine, Michigan, Minnesota, New Hampshire, Novo México, Pensilvânia, Virgínia e Wisconsin)

Swing states, podem definir eleição dos EUA

O caminho de Trump

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O magnata passou por momentos difíceis durante a campanha, nas primeiras semanas de outubro, e Hillary chegou a aparecer nas pesquisas com uma vantagem folgada em cima do republicano. Esse cenário mudou, no entanto, e Trump encostou na reta final, tornando cada vez mais próximo seu plano de chegar à Casa Branca. Apesar disso, a rota de Trump ainda parece um pouco mais complicada que a de Hillary.

Primeiro, ele precisa assegurar os votos em 3 Estados tradicionalmente republicanos que mostraram resistência ao candidato: Utah (6 votos), onde sofre concorrência do conservador independente Evan McMullin, Geórgia (16) e Arizona (11), onde polariza com Hillary. Enquanto na Geórgia e em Utah a vitória de Trump parece provável, o cenário no Arizona está mais indefinido.

A partir daí, o republicano precisa confirmar as ligeiras vantagens que aparenta ter no 2º Distrito do Nebraska e no 2º Distrito do Maine (um voto cada um) e arrematar pelo menos seis swing states. Os que estão mais perto são Iowa (6) e Ohio (18), onde Trump tem constantemente superado Hillary nas pesquisas.

A presidência republicana seria garantida com vitórias nos quatro Estados mais indecisos: Flórida, Carolina do Norte, Nevada e New Hampshire. 

Possível cenário de vitória de Trump: 270 votos - base sólida + 9 Estados (Arizona, Carolina do Norte, Flórida, Geórgia, Iowa, Nevada, New Hampshire, Ohio e Utah) + 2º Distrito do Nebraska + 2º Distrito do Maine

Empate?

Nos cenários descritos acima, New Hampshire aparece como o 'fiel da balança' para determinar o vencedor, mas esse papel pode ser cumprido por outros Estados que têm cenários indefinidos, como Colorado, Pensilvânia, Nevada, Carolina do Norte e Flórida.

Existe também a possibilidade de empate no Colégio Eleitoral, com 269 votos tanto para Hillary quanto para Trump. Para isso, basta que ocorra o cenário de vitória do Trump descrito acima, com apenas uma diferença: um triunfo de Hillary no 2º Distrito do Maine (ou no 2º Distrito do Nebraska), onde o duelo está equilibrado. Se o empate acontecer, quem escolherá o presidente será a Câmara dos Deputados - um cenário que favorece Trump, caso os republicanos confirmem a maioria na Casa. (Com FiveThirtyEight, CNN e RealClearPolitics)

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