Em Aleppo, moradores viram reféns de rebeldes ou somem em zona do governo

Do UOL, em São Paulo

A Organização das Nações Unidas afirmou que centenas de homens que fugiam dos combates no leste de Aleppo, na Síria, podem ter desaparecido ao chegar em zonas controladas pelo regime sírio, segundo um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

"Apesar de ser difícil verificar os fatos em uma situação mutável e perigosa, ouvimos declarações muito preocupantes de que centenas de homens teriam desaparecido depois de passar para zonas controladas pelo governo em Aleppo", afirmou Rupert Colville, da ONU. Segundo ele, seriam homens com idade entre 30 e 50 anos, dos quais suas famílias dizem ter perdido contato há cerca de dez dias.

Colville também afirmou que alguns grupos rebeldes da oposição síria estão impedindo que os civis abandonem o leste de Aleppo e chegam, inclusive, a disparar contra os habitantes que fogem dos combates. "Alguns civis que tentam fugir são aparentemente bloqueados por grupos armados, principalmente a Frente Fateh al Sham [antiga Frente Al-Nusra, conhecida como Al-Qaeda na Síria]."

A estimativa da ONU é que até 100 mil civis estejam retidos no leste da cidade, enquanto os combates continuam. Outros 30 mil já conseguiram voar para áreas controladas pelo governo.

Aleppo é atualmente o foco do governo sírio para expulsar os rebeldes e avançar na retomada do controle do território do país, mas as tropas do governo Assad, auxiliadas pela Rússia, encontram resistência.

Arte/UOL

A aviação do regime sírio retomou nesta sexta-feira os ataques contra os últimos redutos em Aleppo depois de uma interrupção de várias horas, indicou o Observatório Sírios dos Direitos Humanos (OSDH).

Na noite de quinta-feira (8), a Rússia anunciou que interromperia os bombardeios na cidade para tentar garantir a retirada de pelo menos 8 mil civis que seriam evacuados.

Após o anúncio de Moscou, o OSDH informou uma interrupção dos ataques da aviação síria e a diminuição dos disparos de artilharia nos últimos setores onde os rebeldes estão entrincheirados. Mas pouco depois, o OSDH citou combates esporádicos e bombardeios em várias regiões rebeldes da zona leste da cidade, onde 18 civis morreram na quinta-feira.

Nesta sexta-feira (9), o chanceler russo Serguei Lavrov disse que os bombardeios seriam retomados após o que ele chamou de "pausa humanitária" e que os ataques continuarão "enquanto houver bandidos em Aleppo".

Youssef Karwashan/AFP
8.dez.2016 - Moradores de Aleppo tentam fugir no bairro de Maysaloun

 

Forças do governo da Síria levaram sua ofensiva em Aleppo adiante na noite de quinta-feira e início desta sexta-feira com combates terrestres e ataques aéreos, disseram testemunhas, rebeldes e um grupo de monitoramento, como parte de uma iniciativa para retomar o leste da cidade ocupado pelos rebeldes.

"Helicópteros, aviões de guerra e bombardeio com foguetes, como todos os dias. Nada mudou", disse à agência de notícias Reuters uma autoridade do grupo insurgente Jabha Shamiya sediada na Turquia, descrevendo a situação na manhã desta sexta-feira.

Nas últimas duas semanas, o governo sírio e forças aliadas expulsaram os rebeldes da maior parte de seu território no que outrora foi a cidade mais populosa da Síria. Os rebeldes vêm controlando o setor leste desde 2012, e o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse em uma entrevista publicada na quinta-feira que reconquistar Aleppo irá mudar o curso da guerra civil em todo o país.

Uma fonte militar, citada pela agência Reuters, disse que 32 bairros dos 40 originais foram liberados no leste de Aleppo. "O avanço está correndo de acordo com o plano e às vezes é mais rápido do que o esperado", disse a fonte.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora o conflito, afirmou que os ataques de foguete de Damasco continuaram da noite de quinta para a manhã desta sexta-feira em áreas de batalha no leste de Aleppo.

Durante uma visita à Cidade Velha de Aleppo, jornalistas ouviram o barulho de nove ataques aéreos em cerca de meia hora. Uma testemunha da Reuters na cidade disse ter havido combates intensos em Sheikh Saeed nesta sexta-feira. A área se localiza no sul do setor leste, onde o Observatório e uma fonte militar síria afirmaram que forças governamentais avançaram na quinta-feira. (Com Reuters e AFP)

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