Manifestantes põem fogo no Congresso paraguaio após votação que liberou reeleição

Do UOL, em São Paulo

  • Jorge Adorno/Reuters

Manifestantes que protestavam no Paraguai contra a aprovação de um projeto para habilitar a reeleição presidencial entraram à força no Congresso e queimaram parte do edifício na noite desta sexta-feira (31).

Os opositores invadiram e saquearam gabinetes de congressistas favoráveis à emenda, e atearam fogo em alguns setores do prédio, segundo imagens da TV local. O grupo também entrou em confronto com agentes da Polícia Nacional do Paraguai diante do Congresso, depois que um grupo de 25 senadores aprovou, a portas fechadas, o projeto de emenda constitucional para habilitar a polêmica reeleição presidencial. Parlamentares de oposição acusaram a manobra de quebra institucional.

Andrés Cristaldo Benítez/Efe

Aos gritos de "Ditadura nunca mais", centenas de opositores entraram no prédio legislativo após destruir barreiras, portões e janelas, além de lançar morteiros e pedras contra a polícia. Caminhões de bombeiros tentavam entrar na Plaza de Armas, onde está o Congresso. Há vários policiais feridos, segundo a instituição.

Andrés Cristaldo Benítez/Efe

A emenda deveria ser ratificada neste sábado pela Câmara dos Deputados, também controlada pelos governistas, mas a convocação foi cancelada após a invasão do Congresso. A atual Constituição paraguaia proíbe a reeleição presidencial.

Votação fechada

Os senadores não votaram no plenário do Senado, e sim em um gabinete do Congresso, diante da resistência de legisladores da oposição contra a medida, que permitirá a Cartes buscar a reeleição. A emenda foi apoiada por opositores ligados ao ex-presidente de esquerda Fernando Lugo, mas o restante da oposição denunciou a medida como um "golpe parlamentar".

A emenda será submetida a um referendo nacional, no prazo de três meses, convocado pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. 

Mais cedo, a aprovação no Senado provocou duros confrontos entre manifestantes opositores e a polícia de choque. O presidente do Senado, Roberto Acevedo, o presidente do Partido Liberal, Efrain Alegre, e o deputado Edgar Ortíz, também liberal, foram feridos durante os incidentes, denunciou o senador opositor Luis Wagner.

Acevedo, o primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Petta, e outros legisladores da oposição ocuparam o plenário da Casa para impedir a votação, que ocorreu em um gabinete.

Oposição denuncia "projeto ditatorial"

Acevedo denunciou na quinta-feira, na Corte Suprema de Justiça, os senadores governistas por abuso de função e atentado à ordem constitucional. "Queremos que o plenário da Corte Suprema de Justiça declare inconstitucional este procedimento ilegal".

Cartes tem uma folgada maioria na Câmara dos Deputados, integrada por 80 legisladores.

O senador Carlos Filizzola, ligado ao ex-presidente Lugo, disse que a oposição liderada por Acevedo não permitiu a votação no plenário do Senado, o que obrigou os senadores a votar a emenda em outra sala. "A sessão de hoje com os 25 senadores ocorreu como estabelece o regimento e também a Constituição Nacional", destacou Filizzola.

Mas os senadores contrários ao projeto qualificaram a votação de "golpe parlamentar".  "É um projeto ditatorial de Horacio Cartes com a cumplicidade de Fernando Lugo, coautor deste projeto autoritário", declarou o senador opositor Carlos Amarilla.

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