Ao lado de Putin, Macron diz que França retaliará Síria em caso de ataque químico

Do UOL, em São Paulo

  • Philippe Wojazer/REUTERS

Em entrevista conjunta com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu nesta segunda-feira (29) que "todo uso de armas químicas" na Síria "será alvo de represálias e de uma resposta imediata" de Paris.

Rússia e França estão em lados opostos na guerra síria, apesar de ambos combaterem o Estado Islâmico. O governo Putin apoia o regime de Bashar al-Assad, que é rejeitado por Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha e outros países do Ocidente.

Rússia e EUA chegaram a entrar em atrito depois que o governo Donald Trump atacou a Síria em retaliação a um suposto bombardeio químico do regime Assad, negado por sírios e russos, em abril.

Macron afirmou que é preciso "organizar uma transição democrática" para assegurar a estabilidade na Síria. Os franceses, assim como os aliados ocidentais, defendem a retirada de Assad do poder para que a guerra possa chegar ao fim.

Por sua vez, Putin rebateu a afirmativa de seu homólogo, dizendo que para chegar à paz na Síria "não se pode combater o terrorismo desestabilizando as instituições no país". "Devemos unir os nossos esforços contra o terrorismo", acrescentou o russo.  

Nesta segunda, Macron também declarou que deseja reforçar "a parceria com a Rússia" no âmbito da luta contra o terrorismo na Síria. "Nossa prioridade absoluta é a luta contra o terrorismo (...) é o fio condutor de nossa ação na Síria e sobre a qual desejo, além do trabalho que realizamos dentro da coalizão, reforçar nossa parceria com a Rússia", explicou o presidente. "Sem um diálogo com a Rússia não se pode atuar nos assuntos mais importantes", disse Macron.

Interferência russa nas eleições francesas

Os dois líderes também foram questionados sobre as acusações de que hackers russos teriam atuado para interferir na eleição francesa, onde Macron derrotou a candidata de extrema direita Marine Le Pen, que recebeu apoio discreto de Putin durante a campanha. "O presidente francês não manifestou nenhum interesse sobre essa questão e eu muito menos", disse Putin.

Putin negou que seu governo tenha influenciado as eleições e afirmou que "não há base real" para as acusações. "Não se pode tirar conclusões com base na ideia de que 'talvez hackers russos tenham influenciado'. É muito perigoso basear as acusações em algo não comprovado", disse o presidente russo.

Em outro momento de seu discurso, Macron afirmou que pediu informações sobre as denúncias de tortura contra pessoas homossexuais na Chechênia e cobrou o "respeito a todas as minorias" na Rússia, incluindo as ONGs que atuam na nação - comumente afastadas ou impedidas de trabalhar no território russo.    De acordo com o mandatário francês, "Putin prometeu a verdade sobre as atividades das autoridades locais", informando que já determinou uma "verificação constante" do caso.  

Stephane de Sakutin/AP
Macron e Putin conversam na Galeria das Batalhas, no Palácio de Versalhes

Encontro no Palácio de Versalhes

Recém-chegado de conversas com líderes ocidentais nas cúpulas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas, e do G7, na Sicília, Macron recebeu o presidente russo no suntuoso Palácio de Versalhes, do século de 17, nos arredores da capital francesa.

Em meio ao esplendor barroco, Macron aproveitou uma exibição sobre o czar russo Pedro, o Grande, no ex-palácio real para tentar um novo início nas relações franco-russas. Há exatos 300 anos, em 1717, o czar Pedro I da Rússia iniciou oficialmente as relações diplomáticas entre os dois países.  

O líder francês, de 39 anos, e Putin trocaram um aperto de mão e sorrisos cordiais, mas formais, quando o último saiu de sua limusine e foi recebido em um tapete vermelho, quando Macron pareceu lhe dizer "bem-vindo" em francês. Em seguida os dois entraram no palácio para iniciar as conversas.

Antes do encontro, Macron falou que seria "exigente" nas tratativas com Putin e que o diálogo seria "duro". Além de estarem em lados opostos na Síria, Rússia e França também têm posições diferentes sobre o conflito na Ucrânia.

As relações entre as duas nações se tornaram crescentemente tensas durante o governo do ex-presidente François Hollande. Putin, de 64 anos, cancelou sua última visita planejada em outubro depois que Hollande acusou a Rússia de crimes de guerra na Síria e se recusou a estender o tapete vermelho para ele.

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