Após jovem ser libertado em coma, qual é a situação de outros três americanos presos na Coreia do Norte?

Do UOL, em São Paulo

  • Xinhua/Lu Rui

    16.mar.2016 - O estudante americano Otto Frederick Warmbier chega a tribunal para julgamento em Pyongyang (Coreia do Norte)

    16.mar.2016 - O estudante americano Otto Frederick Warmbier chega a tribunal para julgamento em Pyongyang (Coreia do Norte)

A Coreia do Norte libertou e extraditou nesta terça-feira (13) para os EUA o estudante americano Otto Frederick Warmbier, 22, que estava detido desde janeiro de 2016 por ter tentado roubar um cartaz de propaganda política no hotel onde estava hospedado.

Um dado que chocou o mundo foi o fato de que Warmbier estava em coma desde março do ano passado --sem contato direto com ele, a família ficou sabendo de sua real condição há apenas uma semana. Ele teria contraído botulismo, intoxicação alimentar causada por uma bactéria.

Há pelo menos outros três americanos presos na Coreia do Norte. Dois foram detidos nos últimos dois meses: Tony Kim, também conhecido como Kim Sang-duk, em 23 de abril, e Kim Hak-song, também chamado de Jin Xue Song, em 6 de maio; ambos são acusados pelas autoridades norte-coreanas de "atos hostis".

Pouco se sabe sobre o terceiro detido, Kim Dong-chul, incluindo o motivo de sua detenção em 2015.

"Quando americanos são detidos na Coreia do Norte, eles podem esperar condições muito duras, como celas diminutas, pouca água ou comida e menos ainda luz natural. E a história deles é pré-determinada: uma confissão forçada, um julgamento encenado e uma sentença de anos de trabalho forçado com pouca chance de apelação", escreveu o "New York Times". 

"Era uma cela de 1,5m por 1,8m, e havia algumas ripas nas portas", contou a jornalista americana Laura Ling em entrevista a uma revista após ser solta. "Não havia barras, então você não conseguia ver do lado de fora, e se eles fechassem essas ripas, fica completamente escuro. Não havia modo de comunicação com o mundo lá fora."

O missionário americano Kenneth Bae, que também ficou preso no país asiático, contou em suas memórias "Not forgotten", publicadas após sua soltura em 2016, que ele era interrogado por 15 horas por dia, "de 8 da manhã às 10 ou 11 da noite, todos os dias por quatro semanas - era muito intenso".

"Os americanos que agora estão na Coreia do Norte estão detidos numa época de alta tensão. Os casos deles podem ser diferentes, mas as circunstâncias em que se encontram, como peões em um complexo jogo geopolítico, são bastante similares", escreveu o "New York Times".

Tony Kim

Kim trabalhava como professor na Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (PUST). Ele estava no país, segundo a imprensa sul-coreana, para trabalhar em programas de cooperação. 

Ahn Chan-il, diretor do Centro Internacional de Pesquisa sobre a Coreia do Norte, que tem base em Seul, disse à agência de notícias sul-coreana Yonhap que Kim poderia ser utilizado por Pyongyang como moeda de troca em negociações com Washington.

Kim estava no país havia um mês e tentava embarcar em um voo para deixar o país quando foi preso, segundo o reitor da universidade, Chan-Mo Park.

"A causa da prisão não é sabida, mas aparentemente não tem a ver com o trabalho na PUST. Ele tinha outras atividades fora da PUST, por exemplo, ajudando um orfanato, afirmou Park. 

Kim Hak-song

Kim também trabalhava na PUST, mas não está claro se sua prisão tem alguma relação com a de Tony Kim, duas semanas antes.

Segundo a universidade, ele vinha fazendo trabalhos de desenvolvimento agrícola e foi preso durante uma visita a uma fazenda. 

De acordo com a CNN, KIm nasceu em Jilin, na China, próximo à fronteira com a Coreia, e emigrou para os EUA na década de 1990. Cidadão americano, ele voltou para a China antes de se mudar para Pyongyang. 

Reuters/Agência Central de Notícias da Coreia
25.mar.2016 - O coreano-americano detido na Coreia do Norte Kim Dong-chul, em audiência em Pyongyang

Kim Dong-chul

O empresário Kim Dong-chul, 63, foi sentenciado a 10 anos de trabalhos forçados em abril de 2016, acusado de espionagem e outros crimes. Ele havia sido preso em outubro de 2015.

Antes de seu julgamento, Kim pediu desculpas publicamente por ter roubado segredos militares e nucleares em colaboração com sul-coreanos. 

Em janeiro de 2016, o regime norte-coreano permitiu que a CNN o entrevistasse em Pyongyang. Nessa ocasião, ele disse que antes vivia em Fairfax, no Estado da Virgínia, e que chegou a administrar uma companhia de serviços hoteleiro em Rason, zona econômica especial que a Coreia do Norte opera na fronteira com a China e a Rússia. (Com agências internacionais e o "New York Times")

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