Quais as consequências das 'fake news'? Bullying, ameaças e até morte na vida real

Marcelo Freire

Do UOL, em São Paulo

Você já deve ter ouvido falar nas 'fake news', as notícias falsas que se espalham em milhares de compartilhamentos nas redes sociais. Hoje o termo é usado por muita gente, como por exemplo o presidente americano Donald Trump, que chama de 'fake news' as reportagens de veículos tradicionais como CNN e "The New York Times" que relatam denúncias envolvendo seu governo.

Mas o termo remete principalmente a histórias comprovadamente falsas, que já causaram consequências sérias para os envolvidos.

O próprio Donald Trump já usou bastante o Twitter para disseminar notícias não comprovadas. Antes de se tornar presidente, ele chamou o aquecimento global de "boato criado pela China" e levantou a suspeita que Obama não nasceu nos Estados Unidos - e, portanto, nunca poderia ter sido presidente do país.

Mas talvez o boato mais grave que Trump soltou na rede social foi quando disse que Obama grampeou seu telefone particular na Trump Tower, antes da eleição do ano passado. Ele disse isso em março, quando já era presidente.

O caso foi investigado, e tanto o diretor da Agência Nacional de Segurança quanto o chefe do FBI na época afirmaram, em público, que as agências de Inteligência não tinham nenhuma informação sobre isso.

Na eleição do ano passado, várias notícias falsas foram espalhadas aparentemente para tentar influenciar eleitores. Uma delas envolvia uma pizzaria de Washington, citada por um site como 'fachada para esconder uma rede de pedofilia comandada por Hillary Clinton'. A pizzaria existia mesmo, e o dono passou a ser ameaçado. Até que um homem foi até o local com um rifle para checar se o boato era verdadeiro. Ficou apenas na ameaça: ele acabou preso sem ninguém se ferir.

As pessoas também sofrem com os disseminadores de notícias falsas, como a atriz Whoopi Goldberg. Um site espalhou a notícia de que ela criticou uma viúva de um militar americano, em março desse ano, que havia sido homenageada por Donald Trump. A frase mentirosa atribuída a ela, de que a viúva estava apenas procurando "seus 15 minutos de fama", rendeu ameaças de morte à atriz consagrada de filmes como "Ghost" e "Mudança de Hábito".

Mas já teve vezes em que a coisa não ficou só na ameaça. Na Índia, por exemplo, sete pessoas foram mortas neste ano por causa de notícias falsas de que elas estariam sequestrando crianças. Um homem foi espancado até a morte por causa de uma história que nunca aconteceu.

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