Refugiado enfrenta aventura e idioma e agora tenta 1º emprego no Brasil

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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    Fugindo da guerra civil no Congo, Henock agora tem esperança de um emprego brasileiro

    Fugindo da guerra civil no Congo, Henock agora tem esperança de um emprego brasileiro

Quem vê os olhos e a simpatia do jovem Henock Mpuilu Kitemoko, 18, não imagina o longo caminho que ele percorreu até chegar ao Brasil. Faz um ano, ele deixou a família na República Democrática do Congo e passou por três países antes de desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo.

"A situação política no meu país é muito complicada. A qualquer momento eu podia ser pego para lutar na guerra. Meu pai foi sequestrado e não sabemos onde ele está."

O Congo tem extensas jazidas de diamante e é palco de uma guerra civil há quase 20 anos. Com o aumento dos conflitos no ano passado, Henock decidiu deixar o país.

Seu primeiro destino foi a África do Sul, que negou seu pedido de refúgio antes mesmo de deixar o aeroporto. De lá, partiu para Cuba e, em seguida, para o México, dois países que lhe negaram abrigo.

Nesse último, conheceu Juliana, a funcionária de uma empresa área que resolveu ajudá-lo. "Eu nunca vou esquecer. Ela disse que o Brasil recebia refugiados e me ajudou a vir para cá", lembra.

John Wessels/AFP
Guerra civil na República Democrática do Congo já deslocou mais de 1 milhão de pessoas desde 2016

A chegada em solo brasileiro, no entanto, ainda reservava ao então adolescente que falava francês mais um obstáculo: encontrar a irmã Bruna, de quem não tinha endereço, telefone, e havia chegada ao Brasil um ano antes.

"Fiquei seis dias no aeroporto, na Polícia Federal, até conseguirem falar com ela", diz. O encontro só aconteceu depois que um congolês entrou em contato com uma amiga que tinha desembarcado por aqui na mesma época que Bruna e sabia o paradeiro da jovem de 22 anos.

No Brasil há um ano, Henock cursa o ensino médio e acaba de concluir um curso de capacitação para tentar uma vaga.

O mais difícil foi aprender o português. Eu não sabia nada, aprendi aqui desde o 'bom dia' até a última palavra. Agora eu quero trabalhar, ter o meu primeiro emprego."

Nos olhos de menino, há um tanto de saudade e bastante esperança de um futuro melhor. O mesmo sentimento tem a irmã, que também está em busca de um trabalho. "A gente veio para fugir da guerra. Aqui, às vezes só temos arroz e feijão para comer, mas pelo menos temos paz", diz ela.

Divulgação
A congolesa Prisca busca um emprego em um escritório

Corte e costura

Também da República Democrática do Congo saiu há dois anos Prisca Dinzenza Tsenitende, 21. Deixou para trás parte da família (dois irmãos vivem no Brasil) e encontrou em país um pouco diferente do que ela imaginava.

Aqui não é um mar de rosas. Eu cheguei a trabalhar seis meses com uma congolesa, sem carteira assinada. Depois, procurei emprego em muitos lugares e até agora não consegui."

Prisca fez o ensino técnico em biologia, tem experiência na área de contabilidade, porque chegou a trabalhar com a mãe na empresa da família, mas sonha mesmo é estudar moda. "Eu quero fazer um curso de desenho e costura profissional. Já aprendi muita coisa assistindo vídeos pela internet, mas só consigo fazer algumas roupas para mim".

Para viabilizar seu sonho, ela espera agora conseguir uma vaga de aprendiz em um escritório em São Paulo. "Gostei bastante da área administrativa", afirma a jovem, que acabou de concluir o curso realizado a partir de uma parceria entre o Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, a ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e o PARR (Programa de Apoio para a Recolocação de Refugiados). 

Os jovens fazem parte da turma de 24 jovens entre 16 e 24 anos o Programa Jovem Aprendiz Refugiado. Foram dois meses de aulas gratuitas com foco no mercado de trabalho brasileiro. 

O Brasil reconheceu o refúgio de 9.552 pessoas no ano passado, com 82 nacionalidades diferentes. A maior parte deles vieram da Síria, da República Democrática do Congo, do Paquistão, da Palestina e de Angola. 

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