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Implosão ou explosão: o que pode ter acontecido com o submarino argentino desaparecido?

Juan Sebastian Lobos/Armada Argentina/Telam/Xinhua
Imagem: Juan Sebastian Lobos/Armada Argentina/Telam/Xinhua

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

28/11/2017 20h25Atualizada em 28/11/2017 21h45

Cerca de duas semanas após o desaparecimento do submarino argentino ARA San Juan, com 44 tripulantes a bordo, não há qualquer sinal de sua localização e apenas hipóteses do que possa ter ocorrido. Nesta terça-feira (28), o porta-voz da Armada Argentina, Enrique Balbi, afirmou que a investigação sobre as causas muda de acordo com os índicos que se apresentam.

A Marinha já falou em uma implosão da embarcação, e hoje explicou que trabalha também com a hipótese de uma explosão causada por hidrogênio.

Em entrevista ao UOL, o professor da Escola Politécnica da USP, Gustavo Roque da Silva Assi, explica que não é possível distinguir os dois tipos de incidente por meio do ruído identificado pelos microfones das estações hidroacústicas. "Dentro d'água, tanto a implosão quanto a explosão fazem ruído altíssimo, mas não é possível distinguir qual dos dois ocorreu, só é possível saber que aconteceu alguma coisa catastrófica, que destruiu a estrutura", analisa Assi.

Em seu último contato, o submarino reportou uma falha nas baterias, um curto-circuito seguido de um princípio de incêndio causado pela infiltração de água. 

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A Marinha argentina afirmou nesta terça que, se ocorreu uma explosão --de dentro para fora da embarcação--, uma das hipóteses é a de que ela tenha sido causada pelo acúmulo de hidrogênio, que acima de um certo percentual torna-se explosivo.

"Todas as baterias, incluindo as de automóveis, geram hidrogênio quando estão descarregando corrente elétrica. Quando elas estão sendo recarregadas, devem ser resfriadas com ventiladores especiais que necessitam do ar que vem do snorkel. Este hidrogênio é retirado por motores movidos a diesel e descartados pela via de escape", explicou Balbi. Segundo ele, é desta forma que se impede a concentração de hidrogênio a níveis explosivos.  

Mas em quais circunstâncias poderia ocorrer uma implosão, como já foi sugerido pela Armada argentina? O professor da USP explica que implosões ocorrem quando o submarino ultrapassa o seu limite de profundidade. As buscas concentram-se em uma região do Atlântico com profundidade entre 500 metros e até 1 km --ele desapareceu perto do talude continental, uma espécie de abismo no oceano. A profundidade nesta área é superior à capacidade de imersão do submarino, que é de 300 metros.

O submarino é projetado para suportar uma certa pressão de acordo com suas características, como o diâmetro da embarcação, a espessura das paredes e do tipo de aço do qual é feito. "Se ele passar da pressão determinada pelo projeto, ele estará sujeito a uma carga externa, de fora para dentro, maior do que ele consegue suportar. Assim, o submarino vai colapsar, ele vai implodir", diz Assi.

Outra possibilidade para uma implosão em ambiente de extrema pressão, segundo o pesquisador, seria se o veículo tiver tocado o solo marinho. "Se ele encostar em alguma coisa do lado de fora em meio a uma pressão muito alta, como seria no fundo do oceano, a estrutura não suportaria."

Em um caso de implosão, a chance de sobrevivência é nula. "Uma pessoa aguentaria nadar até, no máximo, uma profundidade de 50m. Uma falha estrutural em um submarino abaixo desta profundidade já seria catastrófica, mortífera para a tripulação." Assi lembra ainda que este tipo de submarino, considerado pequeno, não tem qualquer sistema de capsula de proteção da tripulação, como no caso de um alagamento, por exemplo.

No dia 15, o submarino reportou um curto-circuito seguido de um princípio de incêndio causado pela infiltração de água por meio do sistema de snorkel --responsável pela troca do oxigênio da embarcação. 

Segundo o professor, o submarino navega submerso com a energia gerada por suas baterias. Se a entrada de água ocorreu pelo snorkel, como relatou a Marinha, teria ocorrido durante a troca de ar da embarcação e da recarga das baterias. 

Assi lembra que, mesmo com a falha no sistema de baterias reportada pela tripulação, o submarino poderia navegar até Mar del Plata na superfície utilizando o motor com funcionamento a diesel, já que a embarcação estaria navegando em uma área segura, sem inimigos, e poderia estar visível. "O normal é que, quando chegam em águas nacionais ou 'amigas', submarinos não navegam submersos, eles fazem o trajeto pela superfície."

Buscas continuam 

As buscas são realizadas em uma área de até 1.500 m de profundidade neste abismo oceânico, segundo o ruído detectado no dia do desaparecimento. "Se ele descansou nesta região do talude continental, ele pode ter escorregado para o fundo do talude. Nesta profundidade, não são todos os submarinos que podem navegar para procurá-lo, e isso dificulta os trabalhos".

Os trabalhos são realizados por navios e aviões de 14 países, incluindo Brasil, EUA e Reino Unido. A Marinha argentina sustenta que os trabalhos serão mantidos até que a embarcação seja recuperada. Dois dos três navios brasileiros que atuavam nas buscas já foram dispensados.

Veja os detalhes do ARA San Juan, o submarino argentino desaparecido

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