Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel e ordena mudança de embaixada para a cidade

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / SAUL LOEB

Ignorando alertas de líderes internacionais, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (6) o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e ordenou a transferência da embaixada americana para Jerusalém. A medida rompe com a convenção internacional e coloca em risco o processo de paz no Oriente Médio e a estabilidade da região.

"Jerusalém não é somente o coração de três grandes religiões, mas é também o coração de uma das mais bem-sucedidas democracias do mundo", disse Trump durante o discurso na Casa Branca. "Israel é uma nação soberana e tem o direito, como qualquer outra nação soberana, de determinar a sua própria capital", disse.

"Finalmente reconhecemos o óbvio: Jerusalém é a capital de Israel. É um reconhecimento da realidade. É o certo a se fazer e precisa ser feito."

Trump ainda ordenou que o Departamento de Estado comece a transferência da missão diplomática americana para Jerusalém. A embaixada americana hoje fica em Tel Aviv --onde ficam as embaixadas de todos os outros países. 

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"Após mais de 20 anos de acenos, não estamos mais perto de um acordo final de paz entre israelenses e palestinos. Seria tolo imaginar que repetir as mesmas fórmulas produziria um resultado diferente, ou melhor."

O presidente reafirmou que sua decisão não pretende acabar com o compromisso com o acordo de paz duradouro entre israelenses e palestinos. "Queremos um acordo que seja ótimo para israelenses e palestinos. Não vamos assumir nenhuma posição definitiva sobre as fronteiras específicas de Israel em Jerusalém ou as disputas de fronteira. Essas questões dizem respeito às partes envolvidas. Os EUA só estão comprometidos em facilitar um acordo de paz aceitável para ambos os lados. Tenho intenção de fazer tudo que está nas minhas mãos para ter esse acordo."

Ele diz que os EUA apoiariam a solução de 2 Estados, desde que ela receba apoio de ambos os lados.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

Apesar de uma lei americana de 1995 que estabelece a transferência da embaixada americana para Jerusalém, a medida jamais foi aplicada. Os presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama adiaram sua implementação a cada seis meses, alegando "interesses nacionais". Trump ressaltou que estava colocando a lei em prática.

Trump pediu "calma, tolerância e moderação" após anunciar que o país reconhece a partir de agora Jerusalém como capital de Israel. "É hora de que todas as nações civilizadas (...) respondam aos temas que geram desacordo com debate, não violência", declarou Trump em discurso na sala de recepções diplomáticas da Casa Branca.

A disputa por Jerusalém se dá em diversos contextos: político, cultural e religioso. Israel considera a Cidade Sagrada a sua capital "eterna e indivisível", enquanto os palestinos defendem que a parte leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado, sendo este um dos maiores desentendimentos entre os dois lados.

A comunidade internacional expressou nos últimos dias intensa preocupação com a medida. Líderes da União Europeia (UE), da Liga Árabe e de diversos países temem danos ainda maiores à estabilidade na região. Muitos acreditam que a medida poderá minar por completo o papel dos EUA como mediador da paz no Oriente Médio, além de insuflar as atuais crises em países como a Síria, Iraque, Iêmen e Catar.

Evan Vucci/ AP
22.mai.2017 - O presidente dos EUA, Donald Trump, visita o Muro das Lamentações, em Jerusalém

A decisão de Trump deve agradar o núcleo de seus apoiadores --republicanos conservadores e cristãos evangélicos que compõem uma parte importante de sua base política.

Os assessores de Trump afirmam que o movimento reflete a realidade de Jerusalém como o centro da fé judaica e o fato de que a cidade é a sede do governo israelense.

Cidade dividida

Após o primeiro conflito árabe-israelense (1947-49), a Cisjordânia e Jerusalém Oriental ficaram sob o domínio da Jordânia, e a parte ocidental da cidade ficou sob o domínio de Israel.

Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, os israelenses reconquistaram Jerusalém Oriental – que, na época, era praticamente toda habitada por palestinos –, uniram-na à parte ocidental da cidade, ocupada por judeus, em 1980 e declararam Jerusalém a capital indivisível de Israel. No entanto, a comunidade internacional jamais reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

O status de Jerusalém --lar de locais sagrados para as religiões muçulmana, judaica e cristã-- tem sido um dos problemas mais espinhosos dos esforços de paz do Oriente Médio.
Israel considera a cidade como sua capital eterna e indivisível e quer todas as embaixadas lá. Os palestinos querem que a capital de um Estado palestino independente esteja no setor oriental da cidade, que Israel capturou na guerra de 1967 no Oriente Médio e anexou em um movimento nunca reconhecido internacionalmente.
 
A decisão de Trump deve agradar o núcleo de seus apoiadores --republicanos conservadores e cristãos evangélicos que compõem uma parte importante de sua base política. (Com agências internacionais)

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