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Mil pessoas foram presas durante manifestações no Irã; governo culpa inimigos do país

Do UOL, em São Paulo

02/01/2018 16h04

Pelo menos mil pessoas foram presas em diferentes cidades do Irã desde o início dos protestos contra o governo do país na última quinta-feira (28), segundo as autoridades locais e representantes das forças de segurança.

Apenas em Teerã, província onde fica a capital do país, 450 manifestantes foram presos, de acordo com o vice-governador da província, Ali Asgar Naserbajt.

Desde o início das manifestações contra a corrupção e a situação econômica do país, ao menos 21 pessoas morreram durante confrontos entre manifestantes e as forças de segurança --entre eles, um policial. 

O governo do Irã ameaçou hoje os manifestantes, afirmando que aqueles que participarem de protestos podem ser acusados de vários crimes, alguns deles punidos com a pena de morte.

"A cada dia que passe e as pessoas sejam detidas, aumentará seu crime e castigo e nós já não os consideramos manifestantes pelos seus direitos, mas como pessoas que querem prejudicar o regime", disse hoje o presidente do Tribunal Revolucionário de Teerã, Musa Ghazanfarabadi, segundo a agência iraniano de notícias "Tasnim".

Desde domingo, as autoridades iranianas restringiram o acesso da população às redes sociais, como Telegram, Instagram e WhatsApp, na tentativa de evitar a organização de novos protestos. 

Noite violenta

A noite de segunda (1°) foi a mais violenta desde o início dos protestos. Nove pessoas morreram durante a noite de segunda no centro do país, onde os manifestantes tentaram invadir um posto policial.

O guia supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rompeu nesta terça-feira (2) seu silêncio sobre a onda de protestos que já dura seis dias e afirmou que os distúrbios são orquestrados pelos inimigos do país.

"Esperam apenas uma chance para se infiltrar e atacar o povo iraniano", declarou, sem especificar os "inimigos".

"O que pode impedir o inimigo de agir é o espírito de coragem, de sacrifício e a fé do povo, dos quais vocês são testemunha", acrescentou, dirigindo-se às famílias dos soldados mortos em guerra.

As autoridades acusam os grupos de oposição "contrarrevolucionários" baseados no exterior - nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, por exemplo - de tentarem se aproveitar da insatisfação da população para criar problemas no país.

O presidente americano Donald Trump, que fez do Irã um dos seus principais alvos, reagiu várias vezes às manifestações, considerando que mostravam que o "tempo da mudança" chegou no país.

Nesta terça, os Estados Unidos pediram que o Irã pare de bloquear e estabelecer restrições às redes sociais e aconselharam seus cidadãos a instalar redes virtuais ou conexões VPN para evitar a censura oficial.

(Com agências internacionais)
 

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