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Em resposta a coletes amarelos, França suspende alta de gasolina

Stephane Mahe/Reuters
Manifestantes enfrentam a polícia em frente ao Arco do Triunfo, em Paris. Os agentes usam gás contra os "coletes amarelos" Imagem: Stephane Mahe/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

04/12/2018 10h12

O governo francês anunciou nesta terça-feira (4) que vai suspender o aumento do imposto de combustível por seis meses e congelar os preços da eletricidade e do gás durante o inverno para acalmar os protestos dos "coletes amarelos".

"Nenhum imposto merece comprometer a unidade da nação", disse o primeiro-ministro Edouard Philippe ao anunciar essas medidas em um discurso transmitido pela televisão.

"Só um surdo não ouviria a raiva dos franceses", acrescentou.

Phillipe também se comprometeu a abrir um "grande debate sobre os impostos e os gastos públicos". 

Desde 17 de novembro, a França é cenário de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, organizados pelo movimento dos "coletes amarelos".

Antes mesmo do anúncio oficial, alguns representantes dos "coletes amarelos" já classificavam as medidas como "insuficientes". "Os franceses não querem migalhas", disse à AFP Benjamin Cauchy, uma das figuras deste coletivo que nasceu nas redes sociais.

"Uma moratória nada mais é do que uma suspensão. Não está à altura das esperanças e da precariedade em que vivem os franceses", considerou a líder da Frente Nacional, a ultradireitista Marine Le Pen.

Os protestos de sábado passado terminaram com atos de violência nas ruas de Paris e em outras cidades, com vários incêndios de carros, lojas, uma praça de pedágio em uma rodovia e a sede de uma prefeitura.

A resposta do governo é urgente no momento em que o clima de protesto parece se estender para outros setores. Na segunda-feira, a mobilização ganhou a adesão de estudantes do ensino médio.

Associações de agricultores anunciaram protestos na próxima semana.

Apesar da violência, 72% dos franceses apoiam os "coletes amarelos", que ampliaram as reivindicações e passaram a exigir aumento dos salários e das pensões, além de maior justiça fiscal, segundo uma pesquisa do instituto Harris Interactive. Quatro pessoas morreram em incidentes relacionados aos protestos.

A vítima mais recente foi uma mulher de 80 anos que não resistiu aos ferimentos sofridos após o lançamento de uma bomba de gás lacrimogêneo em Marselha.

*Com AFP