PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Guaidó fala em mobilização para pressionar intervenção militar estrangeira

RAUL ARBOLEDA/AFP
Imagem: RAUL ARBOLEDA/AFP

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

27/02/2019 11h18

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, convocou hoje a população do país para que se mantenham nas ruas protestando contra o governo de Nicolás Maduro como forma de pressionar as Forças Armadas de países da comunidade internacional a intervir no país.

A mensagem foi dada ao povo venezuelano por meio de um áudio gravado por Guaidó e postado nas redes sociais dele dias depois de o Grupo de Lima rejeitar uma intervenção no país sul-americano.

"Por mais que queiram nos fazer acreditar que a saída para essa crise não depende de nós, quero que fique muito claro: a atuação das forças armadas da comunidade internacional ocorrerá como consequência da nossa pressão, que já estava fazendo, e mobilização permanente, dentro e fora da Venezuela", disse no áudio de quase sete minutos. 

Guaidó afirmou ainda que se manter nas ruas é a "chave" para "conseguir o que os venezuelanos necessitam da comunidade internacional".

A mensagem foi gravada ontem à noite um dia após o Grupo de Lima rechaçar a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela, após reunião de chefes de estado em Bogotá (Colombia).

No texto, o grupo de 14 países da região, entre eles o Brasil, afirma que a transição democrática na Venezuela deve ser conduzida "pacificamente pelos próprios venezuelanos", com apoio de meios políticos e diplomáticos e "sem o uso da força".

Foi uma resposta clara ao vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que durante a reunião fez ameaças aos militares que mantêm Nicolás Maduro no poder na Venezuela.

Hoje, o governo de Maduro fez um apelo para que um encontro entre o presidente da Venezuela e dos EUA, Donald Trump, seja realizado para que "uma guerra seja evitada", o que tem sido interpretado por diplomatas como um sinal de desespero. 

No texto, o autoproclamado presidente interino diz ainda que os venezuelanos precisam estar preparados para contribuir com uma possível intervenção externa "com a capacidade que falta" e "com as forças armadas".

Guaidó conclamou ainda aos funcionários públicos para que se unam às mobilizações. "[Queremos] falar a nossos servidores públicos, como temos falado às Forças Armadas. Não podemos permitir que o usurpador continue sequestrando a democracia do país", diz. 

Mais de 300 militares venezuelanos já desertaram das Forças Armadas da Venezuela e cruzaram a fronteira para a Colômbia. Segundo levantamento feito pela Reuters, a Venezuela tem 365.315 soldados e 1,6 milhão de milicianos. Embora Maduro enfrente pressão externa para deixar o governo, ele se mantém por conta do apoio militar.

"Anunciarei nos próximos dias o dia que voltaremos para que vocês nos acompanhem nesse processo de mobilização nacional, para demonstrar que somos maioria, que estamos mobilizados, que temos capacidade e que não vamos abandonar as ruas", disse Guaidó, que corre o risco de ser preso quando voltar a Venezuela por desrespeitar ordem judicial que o impedia de sair do país.

Na ONU, Brasil e cerca de 60 diplomatas abandonam discurso de venezuelano

UOL Notícias

Internacional