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Guaidó diz ter apoio dos militares; governo da Venezuela fala em golpe

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

30/04/2019 08h06Atualizada em 30/04/2019 12h20

O presidente do Parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país, anunciou hoje que os militares se uniram à oposição para fazer com que "se termine definitivamente a usurpação" do poder por parte do presidente Nicolás Maduro. O governo, porém, fala em um "pequeno grupo de traidores" e que um golpe está em curso.

"As Forças Armadas tomaram a decisão correta, contam com o apoio do povo venezuelano, com o aval da nossa Constituição, com a garantia de estar do lado correto da história", disse Guaidó em um vídeo em que aparece ao lado do líder opositor Leopoldo López, que cumpria prisão domiciliar, e de um grupo de militares na base de Carlota, no leste de Caracas.

López é considerado um dos principais líderes da oposição ao governo de Nicolás Maduro. Ele estava em prisão domiciliar desde 6 de agosto de 2017, cumprindo pena de quase 14 anos, acusado de incitar a violência em 2014. Ainda não se sabe em que circunstância ele saiu da prisão domiciliar.

Na gravação, ele pede ainda que a população vá às ruas contra o governo. "São muitos os militares [com a gente]. A família militar deu o passo, de uma vez por todas. A todos os que estão nos escutando: é o momento, o momento é agora, não só de calma, mas de coragem para seguirmos adiante. Vamos recuperar a democracia e a liberdade na Venezuela", disse.

Governo fala em golpe

O ministro da Informação, Jorge Rodríguez, disse no Twitter que o governo venezuelano está confrontando um pequeno grupo de "traidores militares" que estão buscando promover um golpe.

"Chamamos o povo para se manter em alerta máximo, junto à gloriosa Força Armada Nacional Bolivariana, para derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz. Venceremos", disse Rodríguez.

Maduro ainda não se pronunciou sobre o tema nas redes sociais. Mas retuitou uma postagem feita pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmando condenar energicamente a tentativa de golpe de Estado na Venezuela "por parte da direita que é submissa a interesses estrangeiros".

O ministro da Defesa da Venezuela, Vlaimir Padrino, negou que haja uma insurreição dos militares por meio do Twitter. "Todas as unidades militares implantadas nas oito regiões de defesa integral reportam normalidade nos seus quartéis e bases militares, sob o mando dos seus comandantes naturais", disse. Mas, ele chamou de "covardes" e "traidores" os líderes da oposição.

O líder do chavismo, Diosdado Cabello, convocou para hoje uma manifestação no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

Militares usam azul da oposição

Próximo a base aérea, forças de segurança atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra opositores. Alguns dos militares aparecem com bandanas azuis amarradas no rosto, as mesmas usadas por Guaidó e López.

Militares que apoiam a oposição reagem a gás lacrimogêneo atirado contra eles em área militar em Caracas, capital do país - Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Militares que apoiam a oposição reagem a gás lacrimogêneo atirado contra eles em área militar em Caracas, capital do país
Imagem: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Em uma série de postagens também feitas no Twitter, Guaidó afirma que está reunido com as principais unidades militares das Forças Armadas dando início ao que chama de "fase final da Operação Liberdade".

"Povo da Venezuela, vamos às ruas, Força Armada Nacional a continuar a implantação até que consolidemos o fim da usurpação, que já é irreversível", disse. "O Primeiro de Maio, o término definitivo da usurpação começou hoje", disse Guaidó em vídeo publicado nas suas redes sociais.

Desde janeiro, Guaidó diz que assumiu interinamente a presidência da Venezuela, afirmando que a reeleição de Maduro em 2018 foi ilegítima.

Mais de 50 países, incluindo Brasil e Estados Unidos, reconhecem Guaidó como presidente da Venezuela. Ele havia convocado protestos para amanhã, Dia Internacional do Trabalhador, afirmando que a marcha seria "a maior da história da Venezuela" e parte que ele tem chamado de "fase definitiva" dos esforços da oposição de tirar o poder das mãos de Maduro e chamar novas eleições.

Grupo de Lima convoca reunião de emergência

O ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Holmes Trujillo, afirmou que, seguindo as instruções de Ivan Duque, presidente do país, convocou uma reunião de emergência dos membros do Grupo de Lima "para continuar apoiando com decisão a volta da democracia e liberdade na Venezuela".

No Twitter, Duque afirmou que os militares e o povo da Venezuela têm sido chamados para que se posicionem do lado correto da história, "rechaçando a ditadura e a usurpação de Maduro, se unindo, na busca da liberdade, da democracia e da reconstrução institucional, encabeçada pela Assembleia Nacional e pelo presidente Juan Guaidó"

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