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Duas pessoas são resgatadas com vida dois dias após desabamento no Camboja

Sobrevivente é retirado com vida dos escombros do prédio que desabou em Sihanoukville, no Camboja, dois dias após a tragédia - Sub Rethy/AFP
Sobrevivente é retirado com vida dos escombros do prédio que desabou em Sihanoukville, no Camboja, dois dias após a tragédia Imagem: Sub Rethy/AFP

Do UOL*, em São Paulo

24/06/2019 08h06Atualizada em 24/06/2019 14h02

Dois homens foram retirados vivos hoje dos escombros de um prédio que caiu no último sábado (22) no Camboja, segundo a agência de notícias AFP. Ao menos 28 pessoas morreram no desabamento de um edifício de sete andares que estava em construção e pertence a uma empresa chinesa.

Os sobreviventes receberam oxigênio e foram levados para o hospital, constatou a AFP no local. No mesmo momento, três novos cadáveres foram retirados dos escombros.

"Ouvi o som dos socorristas, pedi ajuda, mas não me escutaram", declarou um dos sobreviventes, Ros Sitha, de 24 anos. "Tinha um corpo do meu lado. Não tinha nada para beber", relatou.

Pouco antes, sua esposa, de 47 anos, havia dito que "não tinha esperanças" de encontrá-lo com vida. Os dois sobreviventes disseram que se sentiam fracos, mas não sofreram ferimentos graves.

Parentes das vítimas afirmaram acreditar que mais pessoas estão soterradas nos escombros do edifício, que desabou no momento em que dezenas de operários dormiam.

Sihanoukville, uma localidade que recebe importantes investimentos chineses, era uma tranquila comunidade de pescadores até a chegada de mochileiros ocidentais, que foram seguidos por ricos turistas russos.

Nos últimos anos, a cidade conhecida por seus cassinos recebeu muitos investimentos chineses, o que deflagrou uma explosão imobiliária.

Atualmente, há 50 cassinos de cidadãos chineses e dezenas de complexos hoteleiros em construção.

Três cidadãos chineses e um gerente cambojano foram interrogados sobre o desabamento.

A embaixada da China no Camboja expressou condolências e defendeu uma "investigação exaustiva" sobre o papel dos três chineses e a causa do acidente.

A Organização Internacional do Trabalho calcula que o Camboja tem quase 200.000 trabalhadores no setor de construção, a maioria deles sem formação e que recebem salários diários, sem a proteção de acordos sindicais.

(Com AFP)