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EUA liberam documento com denúncia que motiva impeachment de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Imagem: Jonathan Ernst/Reuters

Carolina Marins

Do UOL*, em São Paulo

26/09/2019 10h11Atualizada em 26/09/2019 11h29

O Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos liberou na manhã de hoje o documento com a denúncia contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que motivou a abertura de seu processo de impeachment. A denúncia mostra que a Casa Branca estava "profundamente perturbada" pelas ligações de Trump para a Ucrânia.

O documento traz a denúncia de que Trump usava "seu poder para solicitar interferência de países estrangeiros na eleição americana de 2020". Entre as interferências há a pressão feita pelo presidente para que outros países investigassem seus rivais no pleito. A denúncia aponta o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani como uma figura central no caso e o Procurador-geral, William Barr é citado como "envolvido".

Segundo o texto, múltiplos funcionários da Casa Branca que tinham conhecimento da ligação entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em 25 de julho, informaram que o líder americano teria utilizado a chamada para tratar de "interesses pessoais". "Nominalmente, ele tentou pressionar o líder ucraniano a tomar ações para ajudar na reeleição presidencial de 2020", diz.

O denunciante, cujo nome ainda não foi identificado, afirmou ainda que, alguns dias depois da ligação, altos funcionários da Casa Branca se mobilizaram para "bloquear" todos os arquivos vinculados à conversa.

O pedido para que Zelensky prosseguisse com a investigação do ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho Hunter Biden e a promessa de que Giuliani e Barr tratariam do caso aparece na denúncia.

O delator disse que os funcionários da Casa Branca estavam "profundamente perturbados" pela ligação entre os presidentes. Segundo ele, os advogados da Casa Branca estavam em discussão para decidir "como tratar a ligação por causa da probabilidade de terem testemunhado o presidente abusar de seu escritório para obter ganhos pessoais".

"Estou profundamente preocupado que as ações descritas abaixo constituam 'um sério ou escandaloso problema, abuso ou violação da lei ou da ordem executiva' que 'não inclui diferenças de opinião no que diz respeito a assuntos de políticas públicas', consistente com a definição de 'preocupação urgente'", diz o delator no documento.

O documento também diz que Trump aconselhou o seu vice-presidente Mike Pence a cancelar sua viagem para a Ucrânia no dia da posse de Zelensky e ele próprio não iria conhecer o ucraniano até descobrir como Zelensky "escolheu agir".

Trump também teria pedido ao presidente ucraniano para investigar a empresa CrowdStrike, que foi contratada pelo comitê do partido Democrata para investigar invasão em seus computadores - o que mais tarde apontou a Rússia como executora. O denunciante disse ter ficado confuso pela obsessão de Trump com a empresa e porque a teria associado à Ucrânia.

"Não sei por que o presidente associa esses servidores à Ucrânia", escreveu o denunciante em nota de rodapé em sua carta, endereçada ao Congresso.

Segundo ele, vários funcionários da Casa Branca estavam na sala no momento da ligação e ele não foi o único membro do comitê de inteligência a receber a as tratativas da chamada.

Chefe de inteligência no Congresso

O chefe de inteligência de Trump reponde hoje no Congresso a questionamento acerca de como o governo lidou com o relato do delator.

O diretor interino de Inteligência Nacional, Joseph Maguire, depõe ao Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados depois de ter se recusado a compartilhar a denúncia feita pelo delator com o Congresso, apesar de uma lei que exige que esta fosse enviada aos parlamentares depois de um inspetor-geral determinar que ela era urgente e crível.

Ele justificou o não compartilhamento devido ao "privilégio executivo" que, segundo ele, não tem autoridade para negar. "Por causa disso, não conseguimos compartilhar imediatamente os detalhes da denúncia com esse comitê", afirmou.

A divulgação deste documento ocorre um dia depois da Casa Branca publicar a transcrição da conversa entre os dois líderes, a qual mostra que Trump pediu a Zelensky que "olhasse" para sinais de suposta corrupção contra um dos filhos de Biden.

Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, é apontado no momento como o favorito na disputa do Partido Democrata para obter a candidatura à presidência. Hunter Biden, seu filho, foi membro de 2014 a 2019 do comitê de monitoramento do grupo ucraniano de gás Burisma, que pertence a um oligarca pró-Rússia de reputação duvidosa.

Trump negou qualquer irregularidade na conversa e na quarta-feira afirmou: "Não ameacei ninguém, não pressionei, nada". Zelensky também negou que tenha sido pressionado.

A possível pressão de Trump para influenciar o pleito americano foi o que motivo a líder do Congresso, Nancy Pelosi, a abrir o processo de impeachment contra o presidente na terça-feira.

(Com Reuters e AFP)

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