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Diplomata denunciou invasão à embaixada venezuelana na Bolívia 3 dias antes

Embaixada da Venezuela em La Paz, na Bolívia - Divulgação
Embaixada da Venezuela em La Paz, na Bolívia Imagem: Divulgação

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

13/11/2019 12h23

A invasão da embaixada da Venezuela em Brasília na manhã de hoje foi precedida por outra, mais violenta, ocorrida à embaixada venezuelana na Bolívia no domingo (10), mesmo dia em que Evo Morales renunciou à presidência. A acusação foi feita pela diplomata venezuelana Crisbeylee González ainda no domingo.

Hoje, um grupo de 20 simpatizantes do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, entraram no prédio da embaixada em Brasília. O grupo invasor afirma que entrou com a autorização de funcionários que teriam "desertado" e aberto os portões.

Na Bolívia, no entanto, a ação de domingo teria sido mais agressiva. Munidos de dinamite, homens encapuzados empunhando escudos teriam tomado a embaixada venezuelana assim que Morales anunciou a renúncia pressionado por militares e policiais.

"Com dinamite, encapuzados com escudos tomaram a embaixada. Estamos bem e seguros, mas querem nos massacrar. Nos ajudem a denunciar essa barbárie", afirmou na ocasião a diplomata venezuelana Crisbeylee González.

Ela comparou a invasão à embaixada aos ataques às casas de membros do governo que caiu. "Tal como no caso dos incêndios de casas de familiares de membros do governo, nem a polícia, nem as Forças Armadas protegeram [as instalações]."

A representante da Venezuela na União Europeia, Claudia Salerno Caldera, também denunciou a invasão ao tuitar que "um grupo armado com dinamites, com os rostos cobertos, forçou violentamente a entrada da embaixada da Venezuela em La Paz", capital boliviana.

O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, recebe o ex-presidente boliviano Evo Morales - Claudio Cruz/AFP
O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, recebe o ex-presidente boliviano Evo Morales
Imagem: Claudio Cruz/AFP
Porta-voz do secretário-geral da ONU (Organizações das Nações Unidas), Stéphane Dujarric pediu que as "instituições estatais e locais sejam respeitadas, assim como a inviolabilidade das missões diplomáticas".

A inviolabilidade dos consulados e embaixadas é garantida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, ocorrida em 1961. Ela dá imunidade às missões diplomáticas e seus funcionários, "que devem poder cumprir suas funções sem a interferência do país anfitrião".

Apesar da denúncia, não se tem mais detalhes sobre a suposta invasão nem por quanto tempo os manifestantes permaneceram no local. Procurada, a embaixada da Venezuela no Brasil não se manifestou a respeito.

Brasil

No Brasil, a invasão à embaixada foi referendada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), gerando indignação na diplomacia brasileira.

Um apoiador de Guaidó (alto, de bigode e camisa branca) discute com militantes defensores de Maduro em invasão à embaixada da Venezuela em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress
Um apoiador de Guaidó (alto, de bigode e camisa branca) discute com militantes defensores de Maduro em invasão à embaixada da Venezuela em Brasília
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
O motivo: o Brasil ainda tem uma embaixada e um consulado operando em Caracas (capital da Venezuela) e, caso haja uma chancela do governo brasileiro ao ato em Brasília, a segurança dos diplomatas do país no exterior poderia estar comprometida.

Enquanto a advogada María Teresa Belandria Expósito, indicada por Guaidó como embaixadora do Brasil, diz que "um grupo de funcionários da embaixada (...) se comunicou conosco para nos informar que reconhecem o presidente Juan Guaidó", o encarregado de negócios do país no Brasil, Freddy Meregote, nega a deserção.

"Todos os funcionários da embaixada reconhecem Maduro como presidente legítimo da Venezuela. Não houve isso", afirmou ele à Folha.

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