PUBLICIDADE
Topo

Coronavírus

Esse conteúdo é antigo

Bombas de gás e humilhação: ações extremas na quarentena contra a covid-19

Trabalhadores migrantes são esterilizados na Índia - Reprodução/Twitter
Trabalhadores migrantes são esterilizados na Índia Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 12h37

As medidas mais extremas adotadas por países que estabeleceram quarentena obrigatória para conter a pandemia do novo coronavírus incluem uso de bombas de gás, agressões físicas, humilhação e esterilização daqueles que tentam burlar o isolamento social. Os mais pobres e os mais vulneráveis são os mais atingidos por atitudes violentas da polícia, que tem licença para fazer o que for preciso para manter as pessoas reclusas, segundo o site The Guardian.

Leia a seguir exemplos do que tem sido feito em alguns países:

No Quênia, um garoto de 13 anos foi baleado e morto na sacada de sua casa em Nairóbi, capital do país, enquanto a polícia passava pela vizinhança para reforçar o toque de recolher. A família recebeu apenas "condolências sinceras" da corporação.

"Eles chegam gritando e batendo na gente como se fôssemos vacas, e somos cidadãos que cumprem a lei", disse Hussein Moyo, pai do menino assassinado.

Em Mombaça, cidade portuária do país, a polícia usou gás lacrimogêneo contra usuários do sistema de balsas e os agrediu com cassetetes.

Na Índia, vídeos compartilhados na internet mostram que trabalhadores migrantes foram colocados sentados à beira de uma estrada e esterilizados com jatos de um produto químico para supostamente livrá-los do vírus. Eles retornavam de Nova Déli, onde trabalham, para seu vilarejo de origem e foram encharcados com substâncias alvejantes, que podem prejudicar a pele, olhos e pulmões.

Em Punjab, pessoas que foram acusadas de desrespeitar as regras da quarentena foram obrigadas a fazer agachamentos enquanto repetiam: "Nós somos inimigos da sociedade. Nós não podemos ficar em casa."

No Paraguai, táticas semelhantes vêm sendo usadas pela polícia nos locais onde o isolamento tem sido quebrado. Pessoas foram ameaçadas com uma arma tipo taser e obrigadas a fazer saltos. Algumas foram ordenadas a repetir a frase: "Não vou sair da minha casa de novo, senhor", deitadas de cara para o chão.

Nas Filipinas, pessoas que desrespeitaram o toque de recolher foram presas em gaiolas para cachorros, enquanto outras foram obrigadas a ficarem sentadas debaixo de sol forte como punição.

Especialistas em direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) vêm alertando os países sobre as medidas adotadas para conter a pandemia, que são mais do que urgentes, mas que devem ser "proporcionais, necessárias e não discriminatórias".

Os mais pobres, que não podem deixar de trabalhar e, por consequência, se veem obrigados a sair de casa, são os mais atingidos por tais punições.

Coronavírus