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Casa Branca se preocupa com ameaça da covid-19: 'é assustador ir trabalhar'

O próprio Trump tem se mostrado irritado com a presença de pessoas muito próximas a ele nos últimos dias - Getty Images
O próprio Trump tem se mostrado irritado com a presença de pessoas muito próximas a ele nos últimos dias Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

11/05/2020 09h20Atualizada em 11/05/2020 11h15

Apesar de declarações do presidente Donald Trump, ora amenizando a pandemia do novo coronavírus, ora dizendo que os Estados Unidos estão próximos de controlar a situação, um temor se espalhou dentro da Casa Branca após duas pessoas que têm contato direto com o presidente serem diagnosticadas com a covid-19 na semana passada. Há ainda quem relute em usar máscara na sede do governo americano, entre eles o próprio presidente.

"É assustador ir trabalhar", disse Kevin Hassett, principal consultor econômico do presidente, ao canal americano CBS. "Acho que eu estaria muito mais seguro se estivesse sentado em casa do que indo para a Ala Oeste", completou Hasset, em referência ao local que concentra as atividades do gabinete presidencial.

Na semana passada, um membro das Forças Armadas próximo a Trump e Katie Miller, porta-voz do vice-presidente Mike Pence, foram confirmados com a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Como consequência, três dos membros mais importantes da equipe de combate à pandemia no país foram afastados e ficarão de quarentena em casa.

Hasset explicou que na Ala Oeste todos ficam muito próximos e o risco de contaminação pode ser maior. São três andares com vários escritórios, incluindo o salão oval. "É um lugar pequeno e cheio de gente. Sabe, é um pouco arriscado. Mas você tem que fazer isso porque precisa servir seu país", afirmou o conselheiro presidencial.

O receio é de que o vírus possa estar se espalhando silenciosamente pelos funcionários mais próximos de Trump. Várias pessoas que tiveram contato com Katie e o membro das Forças Armadas infectado continuam trabalhando normalmente. Além disso, há o receio de que os testes não sejam precisos no diagnóstico da doença.

Todos na Casa Branca têm feito testes semanais, e algumas pessoas até têm colhido amostras diárias. No entanto, os testes são do tipo que têm resultado rápido, em menos de 15 minutos, e podem trazer uma falsa sensação de tranquilidade caso o diagnóstico seja falho.

Outro problema é a falta do uso regular de máscaras. Trump se recusa a usar a proteção, assim como fazia a porta-voz do vice-presidente que teve a contaminação confirmada na última sexta-feira (08).

Um alto funcionário do governo revelou que Trump tem demonstrado preocupação após constatar que o membro das Forças Armadas contaminado lhe serviu refeições recentemente. O presidente estaria parecendo irritado com pessoas se aproximando muito dele nos últimos dias.

Trump e Pence têm sido testados diariamente. Chegou a ser comentado que o vice-presidente se afastaria das suas atividades depois da contaminação da sua porta-voz, mas Pence disse que continuará cumprindo sua agenda normalmente.

A Casa Branca tem tomado novas medidas de precaução após a confirmação dos dois casos. Membros da equipe presidencial têm sido incentivados a trabalhar de casa, a importância do uso da máscara foi reforçada e pessoas que entram no complexo têm sido analisadas com mais rigor para rastrear sintomas da doença.

"Para entrar em contato com o presidente, você precisa testar negativo", disse Hasset em uma entrevista à CNN.

O momento de preocupação contrasta com as declarações recentes de Trump de que os Estados Unidos têm que tentar voltar à normalidade para que seja possível retomar a atividade econômica, gravemente afetada pela pandemia. O país lidera o número de mortes causadas pela covid-19 no mundo, com mais de 80 mil vítimas.

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