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Sem combustível, venezuelanos adaptam carros para rodar com gás de cozinha

Alfredo Gonzales verifica um reservatório de gás de cozinha embaixo do carro, em Maracaibo (Venezuela) - Isaac Urrutia/Reuters
Alfredo Gonzales verifica um reservatório de gás de cozinha embaixo do carro, em Maracaibo (Venezuela) Imagem: Isaac Urrutia/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

28/05/2020 11h49Atualizada em 28/05/2020 12h52

A escassez de combustível na Venezuela levou parte dos motoristas a adaptar seus veículos para funcionarem com botijões de gás de cozinha. A prática foi flagrada por agências de notícias e divulgada hoje. O uso do gás de cozinha é perigoso e pode provocar incêndios e explosões.

Os mecânicos e os próprios motoristas modificam os sistemas de combustível dos veículos com um cilindro de propano do tipo usado para fogões de cozinha.

Um dos motivos é evitar as filas dos postos de gasolina que às vezes deixam as pessoas esperando dias para comprar gasolina.

Aumento da gasolina

O governo da Venezuela está avaliando subir o preço da gasolina, após a chegada de navios iranianos carregados com combustível em meio a uma grave escassez, disse o presidente Nicolás Maduro ontem.

"A gasolina que trouxemos do exterior, do Irã e de outros países, pagamos com dólares e muitas pessoas me propõem, e eu concordo, que a gasolina deve ser cobrada", afirmou Maduro em uma reunião com seus ministros transmitida pela televisão estatal, sem informar sobre as novas tarifas.

Cinco navios com suprimentos de gasolina e petróleo foram enviados à Venezuela pelo Irã em meio a tensões com os Estados Unidos, que expressaram "preocupação" com as relações cada vez mais próximas de Caracas com Teerã.

Moises Vilchez conecta um botijão de gás em um carro, em Maracaibo (Venezuela) - Isaac Urrutia/Reuters - Isaac Urrutia/Reuters
Imagem: Isaac Urrutia/Reuters

Em um país com inflação descontrolada - a mais alta do mundo, projetada pelo FMI em 15.000% até 2020 - e com uma desvalorização constante da moeda, o preço da gasolina está quase congelado há duas décadas.

Crônica há anos em grandes regiões do país, especialmente nas fronteiras, a escassez chegou a Caracas durante a quarentena do novo coronavírus.

A produção de petróleo da Venezuela despencou, de acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), para um pouco mais de 600 mil barris por dia em comparação com mais de 3 milhões de uma década atrás, e as refinarias do país estão em colapso, incapazes de atender à demanda interna.

*Com informações da AFP

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